Assistente de Matthew Perry é condenado pela morte do ator em 2023
Ex-assistente de Matthew Perry, Kenneth Iwamasa foi condenado a 41 meses de prisão por aplicar cetamina no ator antes de sua morte

Kenneth Iwamasa, assistente pessoal que morava com o ator Matthew Perry, foi condenado a três anos e cinco meses de prisão por seu envolvimento na morte do artista, ocorrida em 28 de outubro de 2023. Segundo as investigações, Iwamasa aplicou diversas injeções de cetamina em Perry no dia da morte e o deixou sozinho na jacuzzi da residência, onde o ator foi encontrado sem vida, de bruços na água.
Iwamasa havia se declarado culpado em agosto de 2024 de uma acusação de conspiração para distribuir cetamina resultando em morte. Ele foi o último dos cinco réus envolvidos no caso a receber sentença. A defesa pediu uma pena de seis meses de prisão seguidos de seis meses de detenção domiciliar, mas os promotores recomendaram 41 meses de encarceramento, afirmando que a punição refletia tanto o “dano que encerrou uma vida” quanto a “cooperação significativa” prestada posteriormente pelo assistente às autoridades.
Durante a audiência, Lisa Ferguson, empresária de longa data de Perry e responsável pelo espólio do ator, fez um contundente depoimento direcionado a Iwamasa. “O que você é, é o monstro que o matou”, declarou.
Ferguson acusou o ex-assistente de explorar conscientemente a vulnerabilidade de Perry para manter um estilo de vida luxuoso dentro da casa do artista, além de mentir à família após a morte do ator. Segundo ela, Iwamasa também tentou obter compensações financeiras do espólio e entrou com uma ação trabalhista depois de não conseguir o que queria. “Matthew merecia viver. Você não.”
Ao se dirigir à família, Iwamasa afirmou estar arrependido pelo ocorrido. “Sinto muito por ter cometido atos ilegais”, disse. “Espero ser uma lição de alerta para qualquer pessoa na mesma situação.”
A condenação do assistente foi menor do que a aplicada a Jasveen Sangha, apontada pelos investigadores como a fornecedora da cetamina encontrada no organismo de Perry. Conhecida como “Rainha da Cetamina”, ela recebeu pena de 15 anos de prisão no mês anterior. Outros envolvidos também já haviam sido sentenciados, repercute a Rolling Stone Brasil.
Erik Fleming, acusado de atuar como intermediário entre Sangha e Perry, foi condenado a dois anos de prisão. O médico Salvador Plasencia, que admitiu ter fornecido grandes quantidades de cetamina ao ator nas semanas anteriores à morte, recebeu pena de 30 meses de prisão. Já o médico Mark Chavez, acusado de ajudar Plasencia a obter o anestésico, recebeu oito meses de detenção domiciliar e três anos de liberdade supervisionada.
Mancha na memória
Familiares de Matthew Perry também enviaram cartas ao tribunal criticando a postura de Iwamasa após a morte do ator. Eles relataram que conheciam o assistente havia décadas e acreditavam que ele seria responsável por proteger Perry em sua luta contra a dependência química.
“Kenny tinha o trabalho mais importante — de longe — de ser o companheiro e guardião do meu filho na luta contra a dependência”, escreveu Suzanne Morrison, mãe do ator. “Kenny sabia que, caso se sentisse pressionado demais, com um telefonema para qualquer uma das pessoas do círculo de Matthew Perry, reforços chegariam, e seu emprego estaria seguro.”
Ela também afirmou que o assistente tentou permanecer próximo da família após a morte do ator, possivelmente para acompanhar o que eles sabiam sobre o caso. “Ele me mandava músicas, desenhou um pequeno mapa para me ajudar a encontrar o caminho no cemitério. Se visse um arco-íris — uma das coisas favoritas de Matthew — ele me ligava. Ele insistiu em falar no funeral de Matthew. Ele se agarrou a mim e à família como se fosse, de alguma forma, o mocinho que tentou salvar Matthew”, escreveu.
A irmã do ator, Madeline Morrison, classificou como dolorosa a participação de Iwamasa na cerimônia de despedida. “A pessoa responsável pela morte do meu irmão se levantou e falou com as pessoas que mais o amavam. Isso é como uma piada cruel com a qual ainda luto”, afirmou. “Ele não apenas tirou a vida do meu irmão — ele manchou nossas últimas memórias de despedida.”
Morte de Matthew Perry
Os documentos judiciais apresentados pelos promotores afirmam que Iwamasa tinha plena consciência da gravidade da situação de Perry. Segundo as autoridades, ele encontrou o ator inconsciente em duas ocasiões anteriores naquele mesmo mês, testemunhou reações severas após aplicações de cetamina e chegou a destruir evidências antes da chegada dos paramédicos.
Segundo o acordo firmado com os promotores, Kenneth Iwamasa organizou o primeiro encontro entre Matthew Perry e o médico Salvador Plasencia em 30 de setembro de 2023. Na ocasião, o médico aplicou duas injeções de cetamina no ator e ensinou o assistente a administrar o anestésico.
As investigações apontam que Iwamasa passou a comprar quantidades crescentes da substância usando dinheiro de Perry. Em mensagens de texto, ele se referia aos frascos como “latas de Dr Pepper”. Somente de Plasencia, o assistente adquiriu ao menos US$ 55 mil em cetamina ao longo de duas semanas.
Posteriormente, ele também começou a adquirir o anestésico de Erik Fleming e Jasveen Sangha. Em 14 de outubro de 2023, comprou 25 frascos da substância por US$ 6 mil. Outra remessa de 25 frascos foi entregue dez dias depois.
Segundo o acordo de confissão, Iwamasa admitiu que, entre 24 e 27 de outubro de 2023, aplicou entre seis e oito injeções de cetamina por dia em Perry. No dia da morte, ele administrou uma dose por volta das 8h30 e outra às 12h45. Cerca de 40 minutos depois, Perry teria pedido que ele preparasse a jacuzzi e outra grande quantia de cetamina. Iwamasa afirmou que então aplicou outra injeção.
O laudo de autópsia concluiu que Matthew Perry morreu em decorrência dos efeitos agudos da cetamina. O ator tinha 54 anos e ficou mundialmente conhecido pelo papel de Chandler Bing na série “Friends”.
Vale mencionar ainda que, ao longo dos anos, Perry falou publicamente sobre sua luta contra a dependência química e passou diversas vezes por clínicas de reabilitação. Em seu livro de memórias, “Friends, Lovers, and the Big Terrible Thing”, lançado em 2022, escreveu: “Oi, meu nome é Matthew, embora você possa me conhecer por outro nome. Meus amigos me chamam de Matty. E eu deveria estar morto.” O ator também revelou que chegou a consumir até 55 comprimidos de Vicodin por dia durante as gravações da terceira temporada de “Friends”.