Assentamento egípcio de 3.500 anos é descoberto no delta do Nilo
Escavações em Tell el-Ku'a revelaram moradias, áreas de armazenamento e sepultamentos do Segundo Período Intermediário do Egito; confira!

Arqueólogos egípcios identificaram um extenso assentamento do Segundo Período Intermediário em Tell el-Ku’a, no delta oriental do Nilo, reunindo vestígios de moradias, áreas de armazenamento, oficinas, fornos e um cemitério com túmulos de tijolos de barro. A descoberta, realizada no corredor de Wadi Tumilat, amplia o conhecimento sobre o cotidiano da população durante uma fase marcada por profundas transformações políticas no antigo Egito.
O sítio arqueológico fica na província de Ismailia, em uma região que ligava o delta oriental à fronteira leste do Egito e desempenhava papel estratégico para o comércio e a circulação de pessoas. Segundo os pesquisadores, as novas evidências ajudam a compreender como viviam as comunidades que atravessaram a transição entre o domínio dos hicsos e o início do Novo Império.
Durante as escavações, a equipe encontrou dez túmulos de tijolos de barro datados da Décima Quinta Dinastia. As estruturas apresentam diferentes formatos e dimensões. Enquanto algumas seguem o modelo retangular típico das mastabas, outras possuem fachadas ornamentadas e técnicas construtivas mais elaboradas.

Nas proximidades do cemitério, os arqueólogos identificaram uma área residencial planejada de aproximadamente 30 por 60 metros. O assentamento era protegido por um muro de tijolos de barro com cerca de 1,5 metro de espessura. Em seu interior, foram encontrados salões, cômodos de diversos tamanhos e ruas organizadas. A leste do conjunto residencial, apareceram fornos e silos destinados ao armazenamento de alimentos e outros suprimentos.
O conjunto revela uma comunidade estruturada para atender às próprias necessidades, reunindo espaços destinados à moradia, produção, estocagem de mercadorias e sepultamentos em uma mesma área, repercute o Archaeology News.
As escavações também recuperaram diversos artefatos, entre eles escaravelhos, ferramentas de bronze, recipientes de cerâmica, frascos de alabastro utilizados para armazenar kohl e exemplares da cerâmica conhecida como Tell el-Yahudiya, associada ao Segundo Período Intermediário. Algumas peças preservam marcas de fabricação e selos, indícios de atividades comerciais e da função de Tell el-Ku’a como centro de distribuição de mercadorias.
Avanço nos estudos
Os estudos preliminares sobre os restos humanos indicam que os indivíduos sepultados tinham entre 25 e 40 anos de idade. As diferentes posições dos corpos sugerem a existência de variados costumes funerários dentro da própria comunidade. Além disso, foram encontrados numerosos ossos de animais, interpretados como restos de refeições e oferendas deixadas junto aos mortos.
Uma das descobertas chamou atenção dos pesquisadores. Diversos indivíduos foram enterrados fora dos túmulos de tijolos de barro, e alguns estavam em posição fetal. Esse tipo de sepultamento nunca havia sido registrado anteriormente em Tell el-Ku’a. Novas análises deverão investigar por que essas pessoas receberam um tratamento funerário distinto.
A cerâmica recuperada no assentamento também oferece pistas sobre a rotina dos habitantes. Os utensílios de mesa aparecem em maior quantidade, seguidos por panelas de uso doméstico, revelando aspectos relacionados ao preparo de alimentos e às atividades cotidianas, segundo comunicado no Facebook do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

As evidências mostram que Tell el-Ku’a permaneceu ocupado até meados da Décima Oitava Dinastia. Esse longo período de ocupação abrange justamente a passagem do domínio dos hicsos para a consolidação do Novo Império, tornando o sítio um importante registro das mudanças políticas e sociais vividas pelo Egito Antigo.
Com cerca de 55 feddans de extensão na margem sul do corredor de Wadi Tumilat, Tell el-Ku’a já havia fornecido evidências arqueológicas em escavações anteriores. Os novos trabalhos, porém, oferecem um panorama mais amplo de um assentamento que permaneceu ativo por várias gerações, participando das redes comerciais e da produção local enquanto seus habitantes desenvolviam sua vida cotidiana em uma das fases mais marcantes da história egípcia.