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Artemis II: gerentes da NASA dizem que está ‘tudo pronto’ para missão espacial em abril

Após revisão de prontidão, agência planeja lançar Artemis II no dia 1º de abril; missão levará quatro astronautas para sobrevoar ao redor da Lua

Foguete que será utilizado na missão espacial Artemis II / Crédito: Getty Images

A NASA afirmou que está pronta para avançar com a próxima etapa de seu programa de exploração lunar. Após concluir uma avaliação de risco considerada essencial para a missão, a agência anunciou que pretende lançar a missão Artemis II em 1º de abril, às 19h24 (horário de Brasília). Caso ocorram atrasos, outras seis janelas de lançamento estão previstas para os dias 2, 3, 4, 5, 6 e 30 do mesmo mês.

A decisão foi tomada após a chamada Revisão de Prontidão de Voo (FRR, na sigla em inglês), etapa em que gestores e especialistas analisam se todos os elementos da missão — incluindo foguete, espaçonave e infraestrutura em solo — estão preparados para o lançamento. A revisão ocorreu ao longo de dois dias e reuniu equipes responsáveis por diferentes sistemas da missão.

Segundo John Honeycutt, presidente da Equipe de Gerenciamento da Missão Artemis II, a agência optou por não divulgar uma estimativa numérica precisa de risco para o voo. Durante a era do ônibus espacial, a NASA costumava tornar públicos dados probabilísticos sobre eventos como “Perda da Missão” ou “Perda da Tripulação”, mas a situação atual é diferente.

“Sei que temos buscado avaliações de números como Perda de Missão e Perda de Tripulação, mas não tenho certeza se entendemos o que eles significam na realidade”, disse Honeycutt, explicando que esses números geralmente envolvem estimativas.

A missão utilizará o foguete Space Launch System (SLS), que realizará apenas seu segundo voo. Por causa do histórico limitado de dados, a agência considera difícil calcular probabilidades precisas de sucesso ou falha.

“Provavelmente não temos uma chance de 1 em 50 de que a missão ocorra exatamente como planejamos, mas também não temos uma chance de 1 em 2 como tínhamos no primeiro voo”, disse Honeycutt sobre o foguete SLS, que impulsiona a cápsula Orion para a órbita. “Acho que estamos sendo muito cautelosos para não divulgar números probabilísticos para esta missão.”

“Eu não daria um número exato”, acrescentou Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da NASA. “Uma quantidade incrível de trabalho foi investida na preparação deste voo de teste por milhares de pessoas em nossa equipe integrada. Tivemos discussões extremamente detalhadas — muito abertas e transparentes”, disse ela. “Conversamos bastante sobre nossa postura em relação aos riscos e como estamos mitigando esses riscos.”

Os quatro astronautas que participarão da missão — Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense — acompanharam virtualmente a revisão a partir de sua base em Houston, no Texas.

“A participação deles nesta revisão reforçou a importância de termos discussões abertas e honestas”, acrescentou Glaze.

Um dos pontos mais discutidos foi o escudo térmico da cápsula Orion, peça fundamental para proteger a tripulação durante a reentrada na atmosfera após a missão de cerca de 10 dias ao redor da Lua. Durante o voo de teste anterior, Artemis I, realizado em 2022, o escudo retornou à Terra com danos inesperados, incluindo amassados e rachaduras. Apesar disso, a agência afirma ter confiança no sistema utilizado na nova missão.

“Acho que todos concordamos que temos um bom escudo térmico”, disse ela. Os astronautas “estavam atentos para garantir que tudo estivesse realmente perfeito”, incluindo detalhes sobre como o grupo se manterá em contato com os controladores da missão em solo durante a reentrada.

Segundo Honeycutt, a revisão também incluiu um momento reservado para que especialistas levantassem eventuais preocupações: “Dedicamos um tempo de silêncio para dar às pessoas bastante oportunidade de virem à mesa e compartilharem quaisquer preocupações divergentes, e não houve nenhuma.”

Desafios

Além das discussões sobre segurança, os gestores analisaram desafios técnicos recentes enfrentados pelo foguete SLS. Entre eles estão vazamentos de hidrogênio líquido — um propelente extremamente energético e de fácil inflamação — detectados durante testes iniciais de abastecimento.

Posteriormente, a agência também identificou um problema no fluxo de hélio para a parte superior do foguete. O gás é utilizado para limpar as linhas de combustível e ajudar a pressurizar os tanques, sendo essencial para o funcionamento do sistema.

Essas falhas impediram o lançamento previsto para março e levaram a NASA a retirar o foguete da plataforma para manutenção. O veículo permanece no prédio de montagem de veículos da agência, localizado a cerca de 6,4 quilômetros da plataforma de lançamento.

A NASA informou que conseguiu resolver o problema de hélio ao reparar uma vedação bloqueada em um cabo que conecta o foguete aos sistemas terrestres, repercute a CNN Brasil. O plano atual é transportar novamente o SLS até a plataforma de lançamento em 19 de março. O deslocamento é lento e pode levar entre 10 e 12 horas para ser concluído.

Mesmo após as correções, ainda não está totalmente claro se os vazamentos de hidrogênio podem reaparecer quando o foguete voltar à posição de lançamento. Ainda assim, a agência decidiu não realizar um novo ensaio geral de abastecimento, em parte para preservar a vida útil dos tanques de combustível.

Como explicou Glaze, cada abastecimento com propelente reduz um pouco a durabilidade desses reservatórios. “Não queremos perder nenhum dos dias do nosso período de lançamento em abril para um ensaio geral em dias de chuva.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.