Arquivos de Epstein apontam conexões com magnatas brasileiros
Documentos divulgados nos EUA mostram tentativas de Jeffrey Epstein em estabelecer contato com Jorge Paulo Lemann e André Esteves

Novas mensagens eletrônicas atribuídas ao financista norte-americano Jeffrey Epstein — condenado por crimes sexuais e morto em 2019 — exibem tentativas do magnata de se aproximar de banqueiros e investidores brasileiros de alto perfil, incluindo nomes como Jorge Paulo Lemann e André Esteves.
O conteúdo desses e-mails integra um conjunto de documentos recentemente disponibilizados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que gerou repercussão internacional e reacende debates sobre as redes de relacionamento do empresário condenado.
Contatos de Epstein
Segundo as mensagens, Epstein e seus colaboradores buscavam sondar oportunidades de negócios ou encontros com figuras importantes do cenário financeiro global, entre eles Lemann, conhecido por sua atuação em fundos e conglomerados de investimento com enorme influência no Brasil e no exterior, e Esteves, um dos principais nomes do BTG Pactual e destaque no ranking de bilionários. Embora os e-mails sugiram que existiam planos de contato ou até encontros intermediados por terceiros, as comunicações não comprovam que qualquer reunião ou acordo tenha de fato ocorrido.
Segundo reportagem da Folha, os empresários brasileiros mencionados negaram ter mantido qualquer contato pessoal ou profissional com Epstein. Eles afirmam desconhecer tanto a existência dos e-mails quanto qualquer tentativa de interação direta com o financista — e, sobretudo, alegam não possuir qualquer vínculo com os crimes pelos quais ele foi condenado. Não há também nos documentos divulgação de envolvimento em atividades ilícitas, tampouco indicações de participação nos esquemas de abuso sexual que marcaram a trajetória criminal de Epstein.
A divulgação desses registros faz parte de uma liberação gradual de uma pasta com milhões de páginas de e-mails, mensagens e anexos, em resposta a uma lei de transparência aprovada nos EUA em 2025. O objetivo oficial é tornar públicos os materiais vinculados à investigação e às redes de relacionamento de Epstein, após anos de disputas judiciais e críticas sobre a falta de acesso a esses arquivos.