Arqueólogos identificam vila romana de mosaico perdido
Mosaico romano com cena erótica, levado por um oficial nazista para a Alemanha, teve sua origem enfim rastreada

Arqueólogos italianos conseguiram identificar o local original de um mosaico romano saqueado durante a Segunda Guerra Mundial e levado para a Alemanha por um oficial do exército nazista. A obra, que retrata uma cena erótica típica da arte doméstica romana, foi recentemente devolvida à Itália pelos herdeiros do militar e agora teve sua origem histórica finalmente esclarecida.
O mosaico foi entregue ao Parque Arqueológico de Pompeia no ano passado após ser recuperado pela unidade de proteção ao patrimônio cultural dos Carabinieri, força policial especializada na recuperação de obras de arte roubadas. Durante décadas, o paradeiro da peça era conhecido, mas seu contexto arqueológico exato permanecia incerto.
Origem do mosaico
Pesquisadores do Parque Arqueológico de Pompeia e da Universidade de Sannio conduziram uma investigação detalhada para rastrear a trajetória do objeto. A análise combinou estudos históricos, documentação antiga e registros artísticos. O trabalho revelou que o mosaico foi produzido originalmente em um ateliê da região do Lácio, no centro da Itália, antes de ser transportado ainda na Antiguidade para a região de Marche.
Segundo os pesquisadores, a peça decorava uma vila romana localizada em Rocca di Morro, de onde acabou sendo retirada durante o conflito mundial. Evidências históricas mostram que o mosaico já era conhecido no local desde pelo menos o final do século XVIII.
Um dos elementos-chave para reconstruir essa história foi o caderno de anotações do pintor e arqueólogo Giulio Gabrielli. No século XIX, ele visitou o sítio arqueológico e registrou a presença do mosaico em seus desenhos e descrições, incluindo a localização da obra dentro da antiga vila romana. Esse documento, preservado hoje na Biblioteca Municipal de Ascoli Piceno, permitiu confirmar a origem da peça.
De acordo com o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, em declaração à imprensa local, a descoberta reforça a importância de continuar estudando artefatos recuperados do tráfico ilegal de antiguidades.