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Arqueólogos descobrem cerâmicas em naufrágio italiano

Na Sicília, equipe de especialistas organizou força-tarefa para recuperar cerâmicas em naufrágio de mais de mil anos

Naufrágio cerâmicas
Arqueólogo em mergulho no naufrágio - Divulgação/Regione Siciliana

Arqueólogos subaquáticos italianos anunciaram a recuperação de peças cerâmicas em condições surpreendentemente boas — após quase 1.500 anos no fundo do mar. A embarcação foi encontrada perto da costa de Siracusa, na Sicília, numa região chamada Marina di Ognina, e é associada a um naufrágio da Antiguidade Tardia, entre os anos 300 e 600 d.C.

A missão de resgate integra o projeto apelidado de “Relitto delle Olle” — “Naufrágio das Olle” — nome dado à expedição em alusão às grandes panelas de cerâmica (olle) que compunham a carga. Durante os mergulhos mais recentes, os pesquisadores localizaram um vaso acromático com uma alça — possivelmente usado como caldeira — e um pote acromático com duas alças e tampa. Ambas as peças estavam intactas, sem sinais de danos relevantes.

O navio, segundo estimativas, tinha comprimento entre 15 e 18 metros e largura de cerca de 5 a 6 metros, porte compatível com rotas comerciais costeiras da época. Sua carga era extremamente homogênea, o que sugere que transportava cerâmicas em escala comercial — provavelmente mercadoria destinada ao uso doméstico ou comercial em localidades costeiras do Mediterrâneo.

Cerâmicas no naufrágio

Segundo autoridades responsáveis pela salvaguarda do patrimônio subaquático na Sicília, esse achado é considerado de “potencial extraordinário”, pois preserva informações valiosas sobre navegação, comércio e vida cotidiana da Antiguidade. O fato de as cerâmicas chegarem até nós sem sofrer danos por redes de pesca ou saqueadores sublinha a raridade da descoberta.

Além dos objetos recuperados, os mergulhos também permitiram mapear a areia e os sedimentos ao redor do casco presumido — embora poucos remanescentes de madeira tenham sido identificados, há indícios de que parte da estrutura da embarcação ainda esteja preservada sob a carga cerâmica. Isso reforça a importância do sítio como alvo para futuras pesquisas arqueológicas e documentações tridimensionais.

Para os especialistas, as peças vão muito além de simples artefatos: elas representam vestígios concretos da vida e do comércio antigos no Mediterrâneo. Cada detalhe — a forma, o tipo de cerâmica, a escolha dos recipientes — pode revelar hábitos alimentares, padrões comerciais, rotas de troca, e até técnicas de produção e armazenamento de mercadorias há quase 1.500 anos.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.