Arqueólogos descobrem 18 corpos celtas em posições estranhas na França
A descoberta de corpos celtas em posições peculiares e com marcas de violência em Dijon intriga pesquisadores; rito é considerado extremamente raro no país

Arqueólogos do Inrap fizeram uma descoberta impressionante em Dijon. Durante escavações próximas a uma escola primária, a equipe encontrou 18 sepulturas celtas datadas do final da Idade do Ferro.
O que mais chamou a atenção dos especialistas foi a posição dos corpos: todos estavam enterrados sentados.
Ritos funerários incomuns
De acordo com informações repercutidas pela revista Live Science, os homens, com idades entre 40 e 60 anos, foram posicionados em covas circulares de um metro de diâmetro. Eles estavam voltados para o oeste, com as pernas abertas e os braços ao lado do corpo.
Segundo o pesquisador Frederic Bourigault, esse tipo de sepultamento é extremamente raro, com apenas 50 registros semelhantes em toda a França e Suíça.

Além da posição peculiar, os esqueletos apresentam marcas de uma violência severa. Segundo um comunicado, vários ossos possuem cortes não cicatrizados, o que sugere que esses indivíduos morreram em combate. Um dos homens, por exemplo, apresentava dois golpes profundos de espada no crânio.
Guerreiros e elites
A análise inicial indica que as vítimas eram homens saudáveis e fisicamente ativos. Em um dos túmulos, os arqueólogos encontraram uma braçadeira de pedra preta no braço de um esqueleto, acessório que ajudou a datar o local entre 300 e 200 a.C. O estilo do objeto reforça a tese de que o grupo pertencia a uma elite militar ou religiosa da época.
Por outro lado, o sítio arqueológico também revelou camadas mais recentes da história local. Além dos guerreiros, foram encontradas 22 sepulturas de crianças do período romano, datadas do século 1 d.C.
Diferente dos celtas, os pequenos foram enterrados em caixões de madeira ou pedra, acompanhados de moedas e cerâmicas como oferendas.
Dijon
A área em Dijon tem um histórico de uso contínuo ao longo dos milênios. Após os cemitérios antigos serem abandonados, a terra serviu para o cultivo de uvas até a fundação de um convento em 1243.
Agora, o trabalho de especialistas como Hervé Laganier ajuda a reconstruir o passado violento e ritualístico dos povos gauleses que habitaram a região.
*Sob supervisão de Éric Moreira