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Ararinhas-azuis repatriadas testam positivo para vírus letal

Diagnóstico de circovírus atinge as 11 ararinhas-azuis repatriadas e compromete o programa de reintegração da espécie, afirma o ICMBio

Ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) / Créditos: Divulgação/ICMBio/ Camile Lugarini

E uma notícia triste chega para as últimas 11 ararinhas-azuis que estavam na natureza. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmou nesta quarta-feira, 26, que elas foram contaminadas com um vírus letal e sem cura.

O animal, que é considerado em extinção na natureza desde 2020, testou positivo para circovírus. O vírus é responsável por causar a doença do bico e das penas, principalmente em aves do grupo dos psitacídeos, que incluem ararinhas-azuis, papagaios e periquitos.

Infecção confirmada após recaptura

De acordo com informações repercutidas pelo G1, as aves haviam sido repatriadas da Europa e estavam no criadouro da empresa Blue Sky, na Bahia. Ali, elas faziam parte do programa de reintegração.

Em novembro, após uma ordem judicial contra a empresa, as aves foram recapturadas. Depois disso, elas passaram por testes que identificaram que todas estavam contaminadas pelo circovírus.

Danos severos às aves

O circovírus é uma doença que não tem cura e pode ser fatal para os animais na maior parte dos casos. Seus sintomas variam, mas afetam penas e ossos, causando problemas durante a muda e alterando a coloração das penas.

Os bicos também apresentam inflamações que geram muita dor nas aves. Mas, apesar de ser considerada uma doença altamente contagiosa, não há riscos para humanos.

Falhas sanitárias

O caso foi relatado pelo instituto como uma falta de cuidado sanitário necessário no viveiro. Segundo eles, não houve medidas suficientes para isolar animais doentes dos demais, comprometendo a saúde das aves.

Uma multa de R$ 1,8 milhão foi aplicada contra a empresa responsável pelo criadouro. Durante a inspeção, foram encontrados viveiros e comedouros sujos, além da falta de equipamentos de proteção individual por parte dos funcionários responsáveis pelas aves.

Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário e implementadas da forma correta, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 11 indivíduos positivos para circovírus”, disse Cláudia Sacramento, coordenadora da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio. 

Ela ainda comenta que espera que o ambiente não tenha sido completamente comprometido, o que poderia colocar em risco a saúde de outras espécies de psitacídeos da nossa fauna.

Os animais seguem sob os cuidados do instituto, mas sem a possibilidade de retornarem à natureza. Além disso, ainda não se sabe como as aves foram infectadas, já que o vírus não é comum na região onde estavam.