Após um século, Oxford recebe exemplar pessoal de ‘Alice no País das Maravilhas’
Livro pessoal de Lewis Carroll, com anotações do autor e esboços originais, passa a integrar o acervo da Universidade de Oxford

A doação de um exemplar pessoal de Lewis Carroll da primeira edição suprimida de Alice no País das Maravilhas coloca novamente Oxford no centro da história editorial de uma das obras mais influentes da literatura mundial. O volume passa a integrar o acervo da Christ Church e das Bibliotecas Bodleianas, ampliando de forma significativa o patrimônio bibliográfico da universidade.
Embora a chegada do livro ocorra agora, o episódio dialoga com um acontecimento do passado. Há pouco mais de cem anos, a Christ Church perdeu seu exemplar da primeira edição da obra, que integrava a Sala Comum dos Professores Seniores e foi roubado sem jamais ser recuperado. Desde então, a ausência do volume se tornou um símbolo da perda histórica da instituição.
Um volume singular
De acordo com informações repercutidas pelo O Globo, a doação ganha peso adicional. O livro, conhecido como “A Alice de Michelson”, pertenceu ao próprio Carroll e foi doado pela filantropa americana Ellen A. Michelson. Até então, o exemplar nunca havia sido exibido publicamente no Reino Unido.
Porém, a partir de janeiro ele poderá ser visto no espaço de visitantes das Bibliotecas Bodleianas e, posteriormente, fará parte da exposição Animais de Estimação e Seus Donos, dedicada a examinar a relação entre humanos e animais ao longo do tempo.
O exemplar se diferencia por reunir elementos raros da história do livro. Ele contém anotações manuscritas feitas por Carroll e dez esboços originais a lápis de John Tenniel, ilustrador da obra. Dos 42 desenhos preparados para a primeira edição, apenas 31 são conhecidos atualmente. Por isso, o conjunto tem grande relevância para pesquisas acadêmicas e estudos sobre o processo criativo da publicação.
Uma edição retirada de circulação
Além disso, a própria edição de 1865 teve um destino incomum. Cerca de 2.000 exemplares foram impressos, mas Tenniel considerou insatisfatória a qualidade das ilustrações e solicitou a retirada do livro pouco mais de um mês após o lançamento. A maioria das cópias foi destruída, embora Carroll tenha recebido alguns volumes para distribuir entre amigos. Atualmente, apenas 23 exemplares dessa tiragem são conhecidos.
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Por fim, a ligação entre Carroll e a Christ Church reforça o significado da doação. Sob o nome de Charles Lutwidge Dodgson, o autor estudou, lecionou e atuou como bibliotecário assistente na faculdade ao longo do século 19. Foi nesse ambiente que manteve contato com a família Liddell, cuja filha Alice inspirou a personagem central do livro.
Avaliado em vários milhões de libras, o exemplar chega a Oxford exatamente um século após o desaparecimento do volume original da instituição, encerrando simbolicamente um capítulo histórico e consolidando uma das mais relevantes doações já feitas ao patrimônio literário britânico.