Após alegar risco de ‘morte súbita’, defesa de Roger Abdelmassih pede prisão domiciliar
Condenado por estupro, o ex-médico Roger Abdelmassih cumpre pena na Penitenciária II de Tremembé, e hoje tem 82 anos de idade

A defesa de Roger Abdelmassih, ex-médico condenado a mais de um século de prisão por crimes de estupro contra pacientes, protocolou dois novos pedidos junto à Justiça para que ele possa cumprir o restante de sua pena em “prisão domiciliar humanitária“. A solicitação se fundamenta na alegação de risco de morte súbita devido ao agravamento de sua saúde.
Atualmente com 82 anos, Abdelmassih cumpre pena na Penitenciária II de Tremembé, localizada no interior do estado de São Paulo. Sua condenação totaliza 173 anos e seis meses. Em agosto deste ano, a defesa já havia feito um pedido similar, que foi indeferido.
Recentemente, Larissa Sacco Abdelmassih, esposa e advogada do ex-médico, apresentou um novo requerimento na Vara de Execuções Criminais de São José dos Campos. Neste documento, ela argumenta que as condições de saúde do réu se deterioraram nos últimos anos, baseando-se em exames cardiológicos realizados em 6 de novembro, que revelaram a presença de “insuficiência cardíaca congestiva” e “insuficiência coronariana grave”, além da necessidade do uso de marcapasso e obstruções nas artérias cardíacas.
A advogada enfatiza que a intenção do pedido “não quer afastar a condenação, mas sim garantir que a perda da liberdade não signifique uma morte indigna, com desnecessário sofrimento físico e perda da vida”. Ela também recorda que o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia autorizado anteriormente a prisão domiciliar do médico por questões relacionadas à sua saúde, decisão que foi revogada em 2021.
Risco de morte súbita?
No último dia 12, a defesa reiterou o pedido, citando o risco iminente de morte súbita conforme evidenciado em laudos médicos. “É indubitável que uma pessoa que já está com 82 anos de idade e com todas as comorbidades gravíssimas das quais padece (de curso evolutivo) – e que já foi incluído no grupo de cuidados paliativos – só piorou”, afirmou Larissa no requerimento. “Por essas razões, reitera-se o pedido de prisão domiciliar de cunho humanitário”.
Por outro lado, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) manifestou-se contrariamente ao pedido da defesa. O MP destaca que um laudo recente elaborado por um médico da penitenciária indica que Roger encontra-se em “regular estado geral, mantendo- se em repouso relativo na cela e sendo medicado, inclusive sendo os remédios fornecidos diretamente pela penitenciária”. Além disso, o MPSP ressalta que o risco de morte súbita já havia sido mencionado pelo profissional responsável pela avaliação médica na penitenciária, que garantiu que apesar da situação clínica delicada, a condição geral de saúde do ex-médico se mantém estável.
O próximo passo será a análise do caso pela Justiça. A CNN Brasil buscou um comentário da defesa sobre o novo pedido e aguarda retorno.