Aos 87 anos, morre Benedetto Santapaola, chefe da máfia italiana
Apontado como um dos chefes mais influentes da máfia siciliana, Nitto Santapaola morreu aos 87 anos enquanto cumpria pena perpétua

O chefe histórico da máfia siciliana, Benedetto “Nitto” Santapaola, morreu aos 87 anos em uma prisão de Milão, onde cumpria múltiplas penas de prisão perpétua por assassinato. A morte foi confirmada na segunda-feira, 2, e uma autópsia foi solicitada pelas autoridades italianas para esclarecer as circunstâncias.
Considerado um dos criminosos mais poderosos da Itália nas décadas de 1980 e 1990, Santapaola liderava um dos clãs mais influentes da Cosa Nostra, com base na cidade de Catânia. Mesmo atrás das grades, investigadores acreditavam que ele mantinha influência sobre o grupo por meio de aliados de confiança.
Aliança e atentados
Santapaola era aliado de Totò Riina e Bernardo Provenzano, dois dos nomes mais conhecidos da máfia siciliana. Juntos, integraram o núcleo de comando da organização em um dos períodos mais violentos do crime organizado no país, marcado por atentados e assassinatos de grande repercussão.
De acordo com informações repercutidas pelo The Guardian, entre os crimes atribuídos a ele está o atentado a bomba de Capaci, em maio de 1992, que matou o procurador antimáfia Giovanni Falcone, a magistrada Francesca Morvillo e três agentes de segurança. O ataque marcou profundamente a Itália e intensificou a ofensiva do Estado contra a máfia, resultando em uma série de operações e prisões.
Além disso, Santapaola foi condenado em 2003 por ordenar o assassinato do jornalista investigativo Giuseppe Fava, morto a tiros em 1984 após denunciar as conexões entre a máfia e setores da política local.
Prisão e silêncio
Após mais de uma década foragido, Santapaola foi preso em 1993 nos arredores de Catânia. Desde então, cumpria pena sob regime rigoroso. Ele nunca colaborou com promotores e levou consigo informações consideradas estratégicas sobre a estrutura da organização criminosa.
O filho do jornalista assassinado, Claudio Fava, afirmou que não sentiu alívio com a morte do chefe mafioso. Segundo ele, Santapaola “morreu carregando seus segredos”. Com sua morte, encerra-se um dos capítulos mais simbólicos e controversos da história recente da máfia italiana.