Alemanha autoriza Memorial de Buchenwald a barrar visitantes com lenço palestino
Corte da Turíngia decidiu que direito à liberdade de expressão não se sobrepõe ao propósito do Memorial de Buchenwald

Um tribunal administrativo superior da Turíngia, no leste da Alemanha, decidiu nesta quarta-feira, 20, que o Memorial do Campo de Concentração de Buchenwald tem o direito de recusar a entrada de visitantes usando o keffiyeh, tradicional lenço palestino.
A decisão foi tomada após uma mulher contestar a proibição, ocorrida em abril, quando ela tentou participar da cerimônia do 80º aniversário da libertação do campo nazista usando o lenço. Impedida de entrar, ela recorreu à Justiça para garantir sua presença em outro evento comemorativo nesta semana, também portando o keffiyeh.
O tribunal, porém, rejeitou o pedido, entendendo que o uso do lenço, no caso em questão, tinha como objetivo transmitir uma mensagem política contrária ao que a visitante considerava apoio unilateral do memorial às políticas do governo israelense. A corte afirmou que, em um local de memória do Holocausto, “isso colocaria em risco a sensação de segurança de muitos judeus, especialmente neste local”.
Segundo os juízes, a liberdade de expressão da visitante não se sobrepõe ao “interesse do memorial em defender o propósito da instituição” — preservar a memória das vítimas do nazismo e garantir um espaço seguro para a comunidade judaica.
A Alemanha, que ainda lida com a herança histórica do Holocausto, é um dos aliados mais próximos de Israel, embora recentemente tenha endurecido críticas às operações militares israelenses em Gaza. No início deste mês, o chanceler Friedrich Merz anunciou que o país deixaria de conceder licenças de exportação de armas a Israel caso fossem utilizadas na região.
Buchenwald
O Memorial de Buchenwald esteve no centro de polêmicas recentes após o vazamento de um documento interno que descrevia o keffiyeh como “intimamente associado aos esforços para destruir o Estado de Israel”. O diretor do memorial, Jens-Christian Wagner, reconheceu que o texto continha erros e precisaria ser reformulado. Ele frisou, contudo, que o lenço não é proibido em si, mas pode ser vetado quando usado junto a outros símbolos que busquem relativizar os crimes nazistas.
Entre 1937 e 1945, cerca de 340 mil pessoas passaram por Buchenwald e seu subcampo Mittelbau-Dora, próximo à cidade de Weimar. Segundo o ‘The Guardian’, estima-se que 56 mil prisioneiros tenham morrido em Buchenwald, vítimas de execuções, fome ou trabalhos forçados, enquanto outras 20 mil morreram em Dora, onde eram obrigados a construir foguetes V1 e V2 para os nazistas.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli