Afegã presa por manter academia de taekwondo é libertada pelo Talibã
Khadija Ahmadzada passou 13 dias presa por atividades proibidas na academia; regime veta esportes femininos desde 2021 e caso mobilizou a ONU

A instrutora de taekwondo Khadija Ahmadzada, de 22 anos, foi libertada na quinta-feira, 22, no Afeganistão após passar 13 dias sob custódia do regime Talibã.
A soltura foi confirmada oficialmente nesta sexta-feira, 23, por um porta-voz da Suprema Corte local, encerrando um caso que atraiu atenção internacional. A jovem havia sido detida sob a acusação de gerenciar uma academia esportiva para meninas e violar as estritas normas de conduta impostas pelo governo, que proíbe a prática de esportes femininos no país.
A decisão judicial de libertá-la ocorreu logo após forte pressão de organizações de direitos humanos e apelos da Organização das Nações Unidas.
Regras violadas
De acordo com informações do jornal O Globo, o Ministério para a Promoção da Virtude detalhou os motivos da prisão. A detenção ocorreu após uma inspeção na academia de Khadija, situada nos arredores de Herat.
Autoridades justificaram a ação apontando irregularidades específicas no local. Elas citaram o uso inadequado do hijab pelas alunas e a execução de música nos treinos.
Além disso, outra infração apontada foi a mistura de gêneros no mesmo ambiente. O governo ainda alegou que a instrutora já havia recebido advertências verbais anteriores.
E que mesmo assim, ela teria insistido em manter as atividades proibidas. Essa conduta resultou na condenação temporária de quase duas semanas.
Veto desde 2021
É neste cenário que o caso de Khadija ilustra a rigidez do atual sistema, uma vez que o veto a clubes esportivos femininos vigora desde agosto de 2021, data em que o grupo fundamentalista retomou o poder.
Embora promessas tenham sido feitas nos primeiros meses de governo sobre a reabertura dos espaços após a criação de um “ambiente seguro”, nenhuma medida concreta foi implementada até janeiro de 2026. Consequentemente, mulheres e meninas continuam legalmente impedidas de frequentar ginásios ou participar de competições oficiais em todo o território afegão.
Além do impacto no esporte, a prisão da jovem reflete o progressivo cerceamento dos direitos civis das mulheres no país. O relator especial da ONU para direitos humanos no Afeganistão, Richard Bennett, foi uma das vozes que exigiu publicamente a soltura imediata da atleta, destacando que as restrições também atingem o acesso à educação e ao mercado de trabalho.
Apesar da confirmação da liberdade de Khadija, as autoridades não forneceram, até o momento, informações adicionais sobre o estado de saúde da jovem ou se ela poderá continuar residindo na mesma região.