Absolvição de réus no caso Ninho do Urubu gera indignação entre pais de vítimas
Decisão da Justiça de absolver os sete réus restantes no processo sobre o incêndio no Ninho do Urubu provocou onda de indignação nas redes sociais e entre os familiares das vítimas

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu absolver os sete réus restantes no processo sobre o incêndio no Ninho do Urubu, provocando uma onda de indignação nas redes sociais e entre os familiares das vítimas nesta terça-feira, 21. A tragédia matou dez jovens atletas da base do Flamengo no ano de 2019.
A sentença, assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital, citou “ausência de demonstração de culpa penalmente relevante” e a ‘impossibilidade de estabelecer um nexo causal seguro entre as condutas individuais e a ignição”. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que vai recorrer da decisão.
Pais se manifestam
Entre aqueles que se manifestaram está Darlei Pisetta. Ele é pai de Bernardo Pisetta, jovem de 14 anos natural de Santa Catarina que atuava como goleiro nas categorias de base do clube. “É uma indignação muito grande, é um sentimento de impotência. A gente se sente um lixo. São os nossos filhos. E alguém tira a vida dos nossos filhos, e nada acontece. Isso não é justo. Não tem cabimento. Ficamos sem palavras. É revoltante”, desabafou. “Todos nós estamos sofrendo, principalmente quando vem um tipo de notícia dessas, que nada foi feito. É muito angustiante isso“, disse Darlei ao portal de notícias G1.
Andreia Candido, mãe de Christian Esmério, de 15 anos, também se manifestou após a decisão. “Tenho a certeza de que a Justiça do Brasil é injusta. A gente, como familiar, sabia que era provável que isso fosse acontecer. Mas tinha fé de que a justiça dos homens seria feita”, disse a mulher, que afirma que daria tudo para ter o filho caçula ao seu lado novamente.
“Eu quero justiça. Não é justo. É revoltante receber uma notícia de que não tem provas, de que a perícia foi inconclusiva. Só falta dizer que nossos filhos foram culpados. Não é algo que não poderia ser evitado“, disse a mãe, que contou que passou a noite sem dormir após a decisão.
Já Josete Itavalda Adão, mãe de Vitor Isaías, de 15 anos, de Florianópolis, considerou a decisão “absurda”, mas ainda acredita em uma reviravolta no caso. “Eu acho um absurdo. Não tenho muitas palavras para falar. Estou indignada. A falta do meu filho dói muito. Desde 2019 eu não melhorei mais”, disse Josete, mencionando os problemas de saúde com os quais teve de lidar desde que perdeu o filho. “Eu creio e confio na Justiça. A Justiça tarda, mas não falha”, declarou.