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93% dos pilotos alemães admitem cochilar durante voos

Pesquisa aponta que escassez de pessoal e pressão operacional transformaram sonecas em prática recorrente nas cabines de avião

Quase todos os pilotos alemães admitem cochilar durante os voos - Getty Images

Um sindicato de pilotos da Alemanha soou o alerta nesta quarta-feira, 10, sobre o aumento da fadiga no setor aéreo, descrevendo como “preocupante” a frequência com que seus membros cochilam durante os voos. Segundo levantamento realizado pelo Vereinigung Cockpit com mais de 900 pilotos, 93% admitiram ter tirado sonecas a bordo nos últimos meses.

O estudo revelou que 12% dos entrevistados disseram cochilar em todos os voos, 44% o fazem regularmente, 33% ocasionalmente, 3% apenas uma vez e 7% já perderam a conta. Embora o sindicato reconheça que a pesquisa não seja representativa, afirma que o quadro evidencia um problema estrutural.

“Cochilar se tornou a norma há muito tempo nas cabines alemãs”, disse Katharina Dieseldorff, vice-presidente do sindicato, que representa cerca de 10 mil funcionários, sendo pilotos, comissários de bordo e estagiários. “O que originalmente era pensado como uma medida de recuperação de curto prazo se tornou uma resposta permanente à pressão estrutural. Uma tripulação de cabine permanentemente exausta é um risco significativo”.

Preocupações

De acordo com o levantamento do sindicato, a prática de cochilar foi definida como “fases de descanso controladas durante a fase de voo”. No entanto, a entidade destaca que a escassez de pessoal e a crescente pressão operacional, especialmente durante os meses de verão, intensificaram a fadiga dos profissionais.

Segundo o ‘The Guardian’, a entidade cobra medidas urgentes das companhias aéreas e reguladores para lidar com o problema, argumentando que a exaustão crônica de seus pilotos pode comprometer a segurança da aviação civil.

Especialistas em segurança aérea afirmam que, embora cochilos curtos e controlados possam ser usados como estratégia para manter o foco total em voos longos, a normalização dessa prática diante da falta de descanso adequado levanta grandes preocupações.

Para eles, a fadiga contínua reduz drasticamente a capacidade de reação em situações de emergência e pode comprometer a tomada de decisões em momentos críticos.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli