Tudor Close: A Mansão inglesa da vida real que inspirou o jogo Detetive
Descubra como um antigo hotel na costa inglesa serviu de cenário para a criação de personagens como o Coronel Mostarda e a Dona Branca

Para milhões de pessoas ao redor do mundo, os nomes Coronel Mostarda, Dona Branca e Professor Black evocam memórias de noites estratégicas tentando desvendar um crime em uma mansão labiríntica.
No entanto, o que muitos entusiastas do jogo de tabuleiro Detetive (originalmente batizado como Cluedo) não sabem é que o cenário de “corredores secretos” e “salas de jantar” não é fruto apenas da imaginação. Ele tem um endereço real: Tudor Close, em Rottingdean, East Sussex, na Inglaterra.
A gênese de um mistério
A história de Tudor Close começa muito antes de se tornar um ícone da cultura pop. Originalmente, o local era composto por duas casas de fazenda e celeiros do século 17. No final da década de 1920, a propriedade passou por uma renovação extensiva, sendo transformada em um hotel de luxo que capturava a estética Mock Tudor (Estilo Tudor simulado), com vigas de madeira expostas, janelas com molduras de chumbo e lareiras imponentes.
Foi durante a Segunda Guerra Mundial que a história de Tudor Close se cruzou com a de Anthony Pratt, um funcionário de uma fábrica de munições e pianista de concertos. Durante os ataques aéreos em Birmingham, Pratt e sua esposa, Elva, passavam o tempo projetando um jogo de salão baseado nos mistérios de assassinato que eram populares em festas de casas de campo inglesas.
A conexão com o jogo
Pratt era um visitante frequente de hotéis e casas de campo, e Tudor Close era o epítome do cenário de mistério da “Era de Ouro” da ficção policial britânica, popularizada por Agatha Christie. A arquitetura da mansão — que incluía uma sala de bilhar, uma biblioteca e um salão de baile — serviu de modelo direto para os cômodos que hoje compõem o tabuleiro.
Em entrevista ao jornal The Sunday Times em 2007, o historiador local Douglas d’Enno destacou a atmosfera do local: “O hotel era o lugar para se estar nos anos 30. Tinha toda a mística e o glamour que Pratt queria replicar”.
A transposição do ambiente físico para o papel foi tão fiel que os entusiastas ainda conseguem identificar a disposição original dos cômodos do hotel nas edições clássicas do jogo.
O estilo de vida em Tudor Close
Durante seu auge como hotel, Tudor Close recebeu estrelas de Hollywood como Cary Grant e Bette Davis. A atmosfera era de exclusividade e, por vezes, de um isolamento dramático que alimentava a imaginação. O link histórico aponta que a propriedade não era apenas um edifício, mas um palco social.
De acordo com o portal All That’s Interesting, a propriedade foi colocada à venda recentemente, permitindo que o público visse imagens dos interiores preservados. O local mantém o “Lounge do Bar”, que muitos acreditam ter inspirado a “Sala de Estar” do jogo, e a “Sala de Jantar”, onde o crime hipotético frequentemente ocorre no tabuleiro.
De crime fictício a patrimônio real
Embora Anthony Pratt tenha patenteado o jogo em 1944 (sob o nome Murder!), ele só foi comercializado pela Waddingtons em 1949 devido à escassez de suprimentos no pós-guerra. O jogo tornou-se um sucesso global, mas Pratt nunca alcançou a riqueza esperada, tendo vendido os direitos internacionais por uma quantia relativamente baixa antes do auge da popularidade nos Estados Unidos.
Hoje, Tudor Close não funciona mais como hotel. Na década de 1950, a propriedade foi convertida em casas particulares, mas a fachada permanece protegida como patrimônio histórico (Grade II listed). A preservação da estrutura externa garante que qualquer pessoa que caminhe pela vila de Rottingdean possa sentir a mesma atmosfera de suspense que inspirou Pratt décadas atrás.
Ao falar sobre o apelo duradouro da mansão, o agente imobiliário Guy Newman, que gerenciou a venda de uma das unidades de Tudor Close, afirmou à BBC News: “É uma propriedade fascinante. Você realmente consegue imaginar os personagens do jogo caminhando por esses corredores”.