Ritual sangrento revela mistérios sobre o papel das mulheres na sociedade Manteño e a importância da fertilidade em um período de crise
Gabriel Marin de Oliveira, sob supervisão de Giovanna Gomes Publicado em 27/01/2025, às 15h00
Arqueólogos que escavavam no Equador fizeram uma descoberta chocante: o túmulo de uma mulher grávida, morta de forma violenta cerca de 1.200 anos atrás. A análise dos restos mortais revelou sinais de espancamento, desmembramento e até mesmo a presença de um crânio e de uma oferta queimada dentro da sepultura, indicando um ritual de sacrifício.
A descoberta, detalhada em um estudo publicado na revista Latin American Antiquity, desafia as noções sobre a sociedade Manteño, que habitava a costa equatoriana entre 650 e 1532 d.C. Embora os sacrifícios humanos fossem raros entre esses povos, o caso da mulher grávida sugere práticas complexas e violentas, ligadas possivelmente à fertilidade e ao poder.
A vítima, uma jovem de 17 a 20 anos, estava grávida de sete a nove meses quando morreu. Fraturas em seu crânio indicam que ela foi golpeada na cabeça, e suas mãos e perna esquerda foram brutalmente removidas. Apesar da violência, seu corpo foi enterrado com grande riqueza.
A mulher foi sepultada com uma variedade de objetos rituais, incluindo conchas de berbigão em seus olhos, ornamentos de Spondylus em forma de crescente e lâminas de obsidiana. Uma garra de caranguejo adornava seu abdômen. A presença de conchas Spondylus, com até 2.000 anos de idade, indica a importância do enterro e seu alto status social.
"O fato de ser uma mulher grávida pode indicar que as mulheres ocupavam posições importantes de poder e, portanto, seu poder precisava ser 'administrado'", explica Sara Juengst, bioarqueóloga da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, ao Live Science.
Segundo o 'Live Science', a presença de artefatos associados à fertilidade e à água sugere que o sacrifício pode ter sido um ritual para garantir a prosperidade em um período de crise, como uma seca prolongada.
No entanto, outra hipótese é que a mulher tenha sido uma figura política importante e que seu assassinato tenha sido motivado por questões de poder. "Se um rival dessa mulher quisesse assumir, eles precisariam eliminá-la e a seus descendentes não nascidos, mas também ainda dar a ela honra com base em seu status", afirma Juengst ao Live Science.
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