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O México entre os Aliados na Segunda Guerra Mundial

Inicialmente neutro, o México entrou na Segunda Guerra Mundial apenas em 1942, após ataques alemães a navios petroleiros

México Segunda Guerra capa
O presidente do México Manuel Avila Camacho declara guerra ao Eixo (1941) - Getty Images

Quando a Segunda Guerra Mundial começou, em setembro de 1939, o presidente mexicano Lázaro Cárdenas declarou a neutralidade do país. Apesar disso, o México já demonstrava oposição ao avanço das potências do Eixo na esfera diplomática. Antes mesmo do conflito, havia condenado a invasão italiana da Etiópia, protestado contra a anexação da Áustria pela Alemanha nazista e rompido relações com o regime de Francisco Franco após a Guerra Civil Espanhola, além de acolher refugiados espanhóis e judeus que fugiam da perseguição nazista.

Na prática, porém, a neutralidade começou a ser flexibilizada depois da entrada dos Estados Unidos na guerra, em dezembro de 1941. O México passou a exportar grandes quantidades de petróleo para os norte-americanos, combustível que também abasteceria o esforço de guerra britânico. Na época, o país respondia por cerca de 10% do petróleo consumido pelos Aliados, consolidando-se como um dos principais fornecedores da América Latina.

A entrada oficial no conflito ocorreu em maio de 1942, quando submarinos alemães afundaram navios petroleiros mexicanos no Golfo do México. Os ataques ao Potrero del Llano e ao Faja de Oro provocaram dezenas de mortes e levaram o governo de Manuel Ávila Camacho, sucessor de Cárdenas, a declarar guerra às potências do Eixo.

Deixando a neutralidade

A decisão foi tomada em meio a um cenário delicado. Internamente, o país enfrentava forte desigualdade social e uma população dividida sobre a conveniência de participar da guerra. Externamente, as relações diplomáticas com o Reino Unido e a União Soviética ainda eram marcadas por atritos anteriores, enquanto a aproximação com os Estados Unidos ocorria gradualmente em função da cooperação militar e econômica.

Para conquistar apoio popular, o governo investiu em campanhas de propaganda financiadas com auxílio norte-americano. O rádio, principal meio de comunicação do período, transmitia noticiários e radionovelas sobre a guerra, enquanto o cinema nacional produzia filmes patrióticos voltados à mobilização da população. Paralelamente, o serviço militar tornou-se obrigatório, foram realizados exercícios de defesa civil e ampliou-se a cooperação com os demais países aliados.

Outra importante contribuição veio por meio do Programa Bracero, criado em 1942. Pelo acordo firmado com os Estados Unidos, milhares de trabalhadores rurais mexicanos passaram a suprir a falta de mão de obra provocada pelo recrutamento de soldados americanos. Embora muitos esperassem obter cidadania norte-americana, o programa não garantia esse benefício.

A participação militar direta do México ocorreu apenas nos meses finais da guerra. Em 1945, o país enviou ao Pacífico o Esquadrão 201, conhecido como “Águias Astecas”. Integrado à Força Aérea Expedicionária Mexicana, o grupo era formado por cerca de 300 militares, incluindo 30 pilotos treinados nos Estados Unidos para operar caças P-47 Thunderbolt.

Os aviadores mexicanos atuaram ao lado da Força Aérea dos Estados Unidos durante a Campanha das Filipinas, especialmente na Batalha de Luzon. Ao todo, realizaram 53 missões de combate contra posições japonesas, contribuindo para a derrota do Japão na região. As perdas foram relativamente pequenas: cinco militares morreram em combate, um faleceu por doença e outros quatro perderam a vida durante o treinamento.

Além do esforço militar, o México desempenhou um importante papel humanitário. O governo recebeu centenas de refugiados europeus, entre eles um grupo de poloneses que havia sobrevivido às deportações soviéticas e aos deslocamentos provocados pela guerra. Muitos foram instalados em uma colônia agrícola no estado de Guanajuato, conhecida como “Pequena Polônia”, onde tiveram acesso a moradia, escola e assistência médica.

Ao término da guerra, o México colheu os frutos de sua participação. A economia experimentou um acelerado processo de industrialização impulsionado pela demanda do conflito, período posteriormente conhecido como “Milagre Mexicano”. Como integrante das nações vencedoras, o país também participou da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), consolidando uma posição internacional muito mais influente do que possuía antes de 1939.


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