Soldados dos EUA com a bandeira do país - Wikimedia Commons
Quando a Segunda Guerra Mundial começou, em setembro de 1939, os Estados Unidos optaram por permanecer oficialmente neutros. Enquanto a Alemanha nazista ampliava sua expansão pela Europa, a Itália fascista avançava sobre territórios africanos e o Japão consolidava sua presença militar na Ásia, o presidente Franklin Delano Roosevelt evitava envolver diretamente o país no conflito. A decisão refletia o sentimento predominante da sociedade americana, ainda marcada pelos efeitos da Grande Depressão e concentrada na recuperação econômica promovida pelo New Deal.
A neutralidade, contudo, não significou isolamento absoluto. Durante esse período, Washington manteve relações comerciais com diversas nações, ampliou o fornecimento de equipamentos aos países aliados e fortaleceu o apoio à China, que enfrentava a invasão japonesa. O principal instrumento dessa política foi a Lei de Empréstimo e Arrendamento (Lend-Lease Act), que permitiu aos Estados Unidos fornecer armas, suprimentos e crédito a países envolvidos na guerra. O Reino Unido foi um dos principais beneficiados e só quitou integralmente essa dívida em 2006, encerrando um compromisso financeiro iniciado durante o conflito.
A campanha na Segunda Guerra
O cenário mudou de forma definitiva em 7 de dezembro de 1941, quando aviões japoneses atacaram a base naval de Pearl Harbor, no Havaí. A ofensiva destruiu embarcações, aeronaves e matou mais de 2.400 militares e civis americanos. No dia seguinte, os Estados Unidos declararam guerra ao Japão, encerrando oficialmente sua neutralidade. Poucos dias depois, Alemanha e Itália responderam declarando guerra aos norte-americanos, transformando o país em participante direto da guerra nos continentes europeu, africano e asiático.
Fotografia de Pearl Harbor durante o ataque japonês – Getty Images
A entrada americana alterou significativamente o equilíbrio militar do conflito. Os Estados Unidos participaram de algumas das campanhas mais decisivas da guerra, como a Campanha da Tunísia, que contribuiu para derrotar as forças italianas e alemãs no Norte da África; a Campanha da Itália, que abriu uma nova frente contra o Eixo na Europa; e o desembarque na Normandia, conhecido como Dia D, considerado um dos momentos decisivos para a libertação da Europa Ocidental da ocupação nazista.
No Pacífico, o esforço militar também foi intenso. Batalhas como Midway, Guadalcanal, Iwo Jima e Okinawa marcaram a lenta retomada de territórios ocupados pelo Japão e aproximaram os Aliados do arquipélago japonês. A combinação entre capacidade industrial, produção em massa de armamentos e mobilização de milhões de soldados permitiu aos Estados Unidos sustentar operações simultâneas em diferentes frentes de combate.
Paralelamente à guerra convencional, o governo americano desenvolvia um projeto científico sem precedentes. Em 1939, uma carta assinada por Albert Einstein e pelos físicos Leo Szilard, Edward Teller e Eugene Wigner alertou Roosevelt sobre o potencial militar da fissão nuclear e sobre o risco de a Alemanha nazista dominar reservas estratégicas de urânio, especialmente na mina de Shinkolobwe, localizada no então Congo Belga. A preocupação levou à criação do Projeto Manhattan, programa secreto liderado cientificamente por Robert Oppenheimer, responsável pelo desenvolvimento das primeiras armas nucleares da história.
Fotografia aérea após a explosão nuclear em Hiroshima / Crédito: Getty Images
Para garantir o fornecimento de matéria-prima, os Estados Unidos organizaram operações de inteligência destinadas a assegurar o controle da produção de urânio da mina africana. Agentes atuaram de forma discreta para proteger a extração do minério e impedir qualquer tentativa de interferência alemã durante os anos de desenvolvimento da bomba atômica.
Em agosto de 1945, após anos de pesquisas, os bombardeiros americanos Enola Gay e Bockscar lançaram as bombas atômicas “Little Boy” e “Fat Man” sobre Hiroshima e Nagasaki. As explosões provocaram a morte imediata de aproximadamente 136 mil civis, além de milhares de vítimas posteriores em decorrência da radiação e dos ferimentos. O episódio permanece como um dos acontecimentos mais controversos da história contemporânea, dividindo interpretações entre aqueles que consideram o ataque decisivo para abreviar a guerra e os que o veem como um emprego injustificável de armas de destruição em massa.
A mobilização americana durante a guerra foi gigantesca. Mais de 16 milhões de cidadãos serviram nas Forças Armadas ou desempenharam funções ligadas ao esforço militar. Ao final do conflito, os registros oficiais contabilizavam 405.399 mortos e 671.278 feridos, números que superavam em cerca de três vezes as perdas sofridas pelo país na Primeira Guerra Mundial.
Embora Pearl Harbor tenha sido o ataque mais conhecido ao território americano, ele não foi o único. Submarinos japoneses bombardearam refinarias na Califórnia, atacaram Fort Stevens, no Oregon, e lançaram bombas incendiárias sobre áreas florestais do estado. Mais tarde, o Japão também enviou milhares de balões carregados com explosivos, aproveitando as correntes de ar do Pacífico para atingir a costa oeste dos Estados Unidos.
Soldados desembarcando na praia de Omaha, na Normandia, durante o Dia D – Robert F. Sargent/Creative Commons
Paralelamente, submarinos alemães afundaram dezenas de navios mercantes próximos à costa leste e ao Golfo do México, causando milhares de mortes entre marinheiros. Grande parte desses episódios permaneceu sob sigilo durante a guerra para evitar pânico entre a população.
O conflito também deu origem a projetos militares pouco convencionais. Um dos mais curiosos foi o Projeto X-Ray, idealizado pelo dentista Lytle S. Adams, que propôs utilizar morcegos equipados com pequenas cargas incendiárias para provocar incêndios em cidades japonesas.
A ideia chegou a ser analisada pelo governo americano e recebeu investimentos iniciais, embora nunca tenha sido empregada em combate. Mesmo permanecendo apenas como um experimento, o projeto ilustra como a Segunda Guerra Mundial estimulou iniciativas científicas e militares que variaram entre avanços tecnológicos decisivos e propostas hoje consideradas inusitadas.
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