Voo Pam Am 103: produção sobre atentado chega à Netflix esta semana
Considerado o pior desastre aéreo da história do Reino Unido, o atentado do voo Pan Am 103 deixou 270 pessoas mortas na noite de 21 de dezembro de 1988

Considerado o maior atentado terrorista e também o pior desastre aéreo da história do Reino Unido, o atentado do voo Pan Am 103 deixou mortas 270 pessoas de 21 nacionalidades na noite de 21 de dezembro de 1988. A aeronave, que fazia a rota entre Frankfurt, na Alemanha, e Detroit, nos Estados Unidos, com escalas em Londres e Nova York, sobrevoava a cidade de Lockerbie, no sul da Escócia, quando uma bomba escondida a bordo explodiu. Agora, quase quatro décadas depois do incidente, o caso volta à tona graças à estreia de “O Atentado ao Voo Pan Am 103” (The Bombing of Pan Am 103), nova série da Netflix que chega ao catálogo em 30 de julho.
Criada por Jonathan Lee, que também assina o roteiro ao lado de Gillian Roger Park, a série dramatiza a investigação conduzida por autoridades britânicas e americanas após a explosão do Boeing 747. Com Adam Morane-Griffiths como showrunner, a trama acompanha os anos de apuração que se seguiram ao atentado, evidenciando o trabalho conjunto da polícia escocesa e do FBI para identificar os responsáveis pelo ataque, de acordo com o CinePop.
Vítimas do atentado
Infelizmente, todos os 259 passageiros e tripulantes a bordo do avião morreram instantaneamente. Além disso, destroços da aeronave atingiram áreas residenciais de Lockerbie, provocando a morte de outras 11 pessoas que estavam em solo. Ao todo, 270 vítimas perderam a vida, incluindo 189 cidadãos americanos. Não havia brasileiros entre os mortos.
Conforme informações de uma matéria da BBC, a investigação do caso se estendeu por cerca de três anos e mobilizou autoridades dos Estados Unidos e da Escócia. Ao final desse período, foram expedidos mandados de prisão contra dois cidadãos líbios suspeitos de participação no atentado. No entanto, durante anos, a Líbia se recusou a entregá-los.
Foi somente em 1999, após prolongadas negociações internacionais e sanções impostas pelas Nações Unidas, que o então líder líbio Muammar Gaddafi concordou em entregar os dois suspeitos para julgamento em um tribunal escocês instalado na base militar de Camp Zeist, na Holanda.

Acusado alegou inocência
Tempos depois, já em 2001, Abdelbaset al-Megrahi foi considerado culpado por participação no atentado e condenado à prisão perpétua. Ele foi o único condenado pelo ataque. Ao longo de todo o processo, contudo, o réu manteve a alegação de inocência e apresentou recursos contra a sentença. Megrahi foi libertado pelo governo escocês no ano de 2009 por razões humanitárias, após ser diagnosticado com câncer, e morreu na Líbia, em 2012.
Em 2003, o governo de Muammar Gaddafi aceitou oficialmente a responsabilidade pelo atentado, concordando em indenizar as famílias das vítimas. A decisão fez parte de um acordo para que as sanções internacionais impostas à Líbia fossem suspensas. Ainda assim, Gaddafi afirmou que nunca havia ordenado pessoalmente o ataque.
Posteriormente, surgiriam novas acusações. Em 2011, quando eclodiu a Guerra Civil da Líbia, o ex-ministro da Justiça Mustafa Abdul Jalil declarou possuir informações de que Gaddafi teria dado a ordem diretamente a Abdelbaset al-Megrahi para executar o atentado. Paralelamente, surgiram outras teorias, algumas das quais sugeriam um possível envolvimento do Irã ou até mesmo da CIA na operação.
Muitos anos após os fatos, as investigações voltaram a ganhar novas atualizações. Em 2020, autoridades americanas anunciaram acusações contra Abu Agila Masud, que teria sido responsável por fabricar a bomba utilizada na explosão do avião. Dois anos mais tarde, surgiram relatos de que ele havia sido capturado por milícias na Líbia, o que alimentou especulações de que seria entregue às autoridades americanas. Pouco depois, autoridades confirmaram que ele estava sob custódia dos Estados Unidos e que responderia às acusações em um tribunal federal em Washington.
“Os promotores e a polícia escoceses, trabalhando com o governo do Reino Unido e colegas dos EUA, continuarão a investigar, com o único objetivo de levar à justiça aqueles que agiram junto com Al Megrahi”, disseram na ocasião.