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Reforma revela relíquia medieval escondida há 900 anos em Portugal

Escavações sob um casarão em Loulé descobriram o único hammam medieval já encontrado em Portugal, hoje transformado em museu

Reforma em casarão revela sem querer relíquia arqueológica de 900 anos atrás em Portugal. - Foto: Reprodução/TV Globo

Uma reforma em um casarão na cidade de Loulé, no sul de Portugal, revelou uma descoberta arqueológica que mudou a compreensão sobre a história local. Escondido sob o edifício, arqueólogos encontraram um antigo hammam, uma casa de banhos pública do período islâmico,  preservado por cerca de 900 anos. Após anos de escavações, a estrutura foi identificada como o único banho medieval desse tipo já descoberto no país.

A descoberta ganhou destaque no programa Globo Repórter, exibido nesta sexta-feira, 24, e hoje o monumento se tornou um dos principais atrativos culturais de Loulé, reunindo visitantes interessados na herança deixada pelos mouros em Portugal.

Tudo começou em 2006, quando a Câmara Municipal de Loulé adquiriu o casarão onde posteriormente seriam realizadas as escavações arqueológicas. Embora especialistas já suspeitassem que a área pudesse esconder vestígios importantes do passado, ninguém imaginava encontrar uma estrutura tão bem preservada.

“Foi realmente uma grande sorte, um tesouro que nós tínhamos enterrado aqui debaixo de Loulé”, afirmou o arqueólogo Rui de Almeida, que participou das escavações.

Estrutura preserva herança do período islâmico

Reforma em casarão revela sem querer relíquia arqueológica de 900 anos atrás em Portugal. – Foto: Reprodução/TV Globo

Os trabalhos arqueológicos se estenderam por vários anos até que os pesquisadores confirmassem que a construção correspondia a um antigo hammam, estrutura bastante comum durante o período de Al-Andalus, quando parte da Península Ibérica esteve sob domínio muçulmano.

Mais do que espaços destinados à higiene, essas casas de banhos desempenhavam importante papel social, funcionando como locais de convivência para a população das cidades.

A descoberta ampliou significativamente o valor histórico do patrimônio de Loulé. Em 2022, o sítio arqueológico foi transformado em museu e, no ano seguinte, recebeu o título de Monumento Nacional.

Segundo Rui de Almeida, o espaço passou a representar o mais importante sítio arqueológico aberto à visitação em Portugal, colocando a cidade em destaque entre os destinos voltados ao turismo cultural.

Vestígios mouros permanecem vivos em Loulé

Reforma em casarão revela sem querer relíquia arqueológica de 900 anos atrás em Portugal. – Foto: Reprodução/TV Globo

Com cerca de 15 mil habitantes, Loulé conserva diversos elementos ligados ao período islâmico. Entre eles estão o castelo construído no século 8 e o mercado municipal, cuja arquitetura foi inspirada em referências mouriscas.

Até mesmo o nome da cidade remete a esse passado. Loulé deriva do árabe Al-Ulyã, expressão que significa “a superior”, em referência à posição elevada onde a cidade foi construída.

A reportagem do Globo Repórter também mostra que essa influência permanece presente em outros símbolos portugueses. Em Faro, mãe e filho mantêm viva a tradição da produção de azulejos hispano-mouriscos utilizando técnicas artesanais preservadas ao longo das gerações.

Considerado um dos maiores símbolos de Portugal, o azulejo também possui origem árabe. A palavra deriva de al-zulayj, termo que significa “pedra polida”.

A descoberta do hammam integra um dos capítulos da série especial do Globo Repórter dedicada às conexões históricas, culturais e sociais entre Marrocos, Espanha e Portugal, países que sediarão conjuntamente a Copa do Mundo de 2030.


*Sob supervisão de Éric Moreira