Aranha “carinha-feliz” é descoberta no Himalaia
Nova espécie encontrada na Índia apresenta os mesmos padrões de coloração da famosa aranha havaiana

Pesquisadores identificaram nas montanhas de Uttarakhand, no norte da Índia, uma nova espécie de aranha que apresenta desenhos no abdômen semelhantes aos da famosa aranha-carinha-feliz (Theridion grallator), conhecida até então apenas no Havaí. Batizada de Theridion himalayana, a espécie foi descrita em estudo publicado na revista Evolutionary Systematics.
As duas aranhas possuem 32 variações de padrões de coloração que lembram rostos sorridentes. Apesar da semelhança, análises de DNA mostraram diferenças genéticas entre 8,5% e 12%, suficientes para classificá-las como espécies distintas. Segundo os pesquisadores, trata-se de um exemplo de evolução convergente, processo em que organismos sem parentesco próximo desenvolvem características semelhantes de forma independente.
A descoberta aconteceu por acaso. A equipe estudava formigas quando o pesquisador Ashirwad Tripathy enviou fotografias de aranhas encontradas em áreas montanhosas. Ao analisar uma das imagens, a pesquisadora Devi Priyadarshini reconheceu imediatamente a semelhança com a espécie havaiana, tema de seu mestrado.
Posteriormente, os cientistas coletaram 61 exemplares em três localidades do Himalaia, analisando sexo, estágio de desenvolvimento, padrões de cor e material genético.
A função dos desenhos ainda é desconhecida. A principal hipótese é que eles sirvam para confundir ou afastar predadores. Os pesquisadores também observaram que a maioria dos exemplares com o padrão sorridente eram fêmeas protegendo seus sacos de ovos, indicando uma possível relação entre a coloração e o comportamento reprodutivo.
Outro aspecto que chamou atenção foi a preferência da nova espécie por plantas do gênero Hedychium, o mesmo grupo de plantas associado à aranha havaiana. Como essas plantas não são nativas do Havaí, a coincidência ainda não foi explicada.
Os autores afirmam que a descoberta representa apenas o início das pesquisas. A origem dos padrões de coloração, sua função biológica e o parentesco evolutivo entre as duas espécies ainda deverão ser investigados.