Microscópio quântico revela traços ocultos nas fogueiras dos neandertais
Na Espanha, fogueiras dos neandertais escondiam segredos sob múltiplas camadas de cinzas; microscópio quântico traz detalhes à tona

Há cerca de 80 mil anos, as fogueiras dos neandertais brilhavam sobre as terras da Espanha. Hoje, com o auxílio de microscópios quânticos, pesquisadores conseguiram descobrir o que o costume neandertal escondia sob as cinzas.
Com o passar dos milênios a própria natureza fez com que muitas das lareiras montadas na mesma região se confundissem. Porém, para os cientistas que publicaram um artigo na revista Journal of Archaeological Sciences, para compreender o trecho era necessário apenas o equipamento correto.
Por isso, os arqueólogos juntaram os métodos da arqueologia com a microscopia quântica de diamantes (QDM) para detectar os campos magnéticos minúsculos nas camadas da lareira.
As fogueiras dos neandertais
Primeiramente, os pesquisadores tiveram grandes dúvidas se aquela pilha de cinzas milenar era apenas uma fogueira contínua ou várias. Neste caso, os pesquisadores prestaram atenção a um complexo das camadas de combustão rotuladas como H89/90 e aplicaram vários métodos, incluindo análise geofísica e até testes químicos.
Assim, poderiam se aproveitar da excepcional preservação dessas camadas e determinar as suas origens. Conforme os cientistas, o limite entre a camada de cinzas pálidas acima e o solo queimado de marrom-vermelho abaixo é nítido.
Não obstante, investiram em testes magnéticos que disseram que as amostras foram feitas naquela região unicamente. Descartando a preocupação do fogo ter se alastrado até a região. De acordo com os autores do artigo:
Este estudo representa um passo inicial no desenvolvimento de longo prazo do QDM como uma ferramenta em geoarqueologia e ciências arqueológicas”.
Surpreendentemente, ao analisar as cinzas e os campos magnéticos expressos nelas, através do QDM, foi possível perceber que as assinaturas magnéticas na camada de cinzas eram quase idênticas em todas as amostras e alinhadas na mesma direção do campo da Terra. Ou seja, provavelmente as cinzas esfriaram no lugar após um único grande episódio de queima.
Ademais, as análises combinadas revelaram que os resíduos botânicos encontrados nas fogueiras dos neandertais advém de folhas, gramas e pequenas fibras vegetais. De forma a controlar a fogueira dos neandertais, provavelmente para mantê-la queimando por mais tempo.
Assim, os pesquisadores descobriram uma prática curiosa e que ainda deve ser estudada pelos cientistas, mas que certamente complexifica nossa percepção dos neandertais.
*Sob supervisão de Éric Moreira