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Novo mapa revela que novos materiais afetam a natureza de maneira diferente

Diferente das tradicionais extrações de carvão e ouro, novos materiais como lítio, típico das tecnologia verde, afetam a natureza de maneira diferente

Imagem exemplar de uma mineração de lítio
Imagem exemplar de uma mineração de lítio para explicar as novas formas que as extrações podem afetar a natureza - Créditos: Getty Images

Um novo estudo publicado na revista Nature Communications revelou que, embora sejam diferentes a extração de minerais e as tecnologias verdes, elas podem ter um impacto significativo na biodiversidade.

Diferentemente das extrações de ouro e carvão, conhecidas por eliminar a natureza ao redor, extração de minerais como lítio podem afetar fatores específicos da natureza. Conforme os pesquisadores japoneses da Universidade de Tohoku e do Instituto Nacional de Estudos Ambientais (NIES) os impactos afetam a natureza de maneira diferente.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores desenvolveram um mapa global sobre as commodities mineradas. Assim, ao comparar os dados de perda florestal, risco de extinção de espécies e as extrações minerais com o mapa, foi possível ver como a extração está remodelando a biodiversidade.

Novo mapa revela que novos materiais afetam a natureza de maneira diferente (1)
Novo mapa revela que novos materiais afetam a natureza de maneira diferente – Créditos: Divulgação/ Cheng et al.

Como afetam a natureza a extração dos novos minerais

Conforme os especialistas, mais de 70.000 locais de mineração de cerca de 20 commodities foram utilizados como base do estudo. Surpreendentemente, as atividades extrativistas causaram a perda de 16.267 km² de floresta entre 2001 e 2022. 

Ou seja, um território comparado à Pequim foi desmatado em zonas tropicais como a Amazônia, Sudeste Asiático e a Bacia do Congo. Keiichiro Kanemoto, professor associado da Universidade de Tohoku e autor do estudo, disse à revista Phys:

Os avanços em sensoriamento remoto e aprendizado de máquina oferecem novas oportunidades para análise automatizada da mineração em escala global. A transição para tecnologias verdes está impulsionando a demanda por um conjunto diferente de minerais, mas não há dados suficientes para entender completamente as implicações ambientais”.

Contudo, apesar do ouro e do carvão ainda serem os principais impulsionadores do desmatamento, um novo padrão vêm surgindo nas áreas de extração dos novos materiais. Em extrações típicas de materiais verdes, como o lítio, há menor perda florestal, mas maior riscos à biodiversidade.

Nesse sentido, os pesquisadores informam que a extração desses materiais pode afetar pressionar especificamente habitats ecologicamente sensíveis. Por exemplo, extração lítio em ambientes salinos e de zonas úmidas pode perturbar ecossistemas frágeis e pôr em risco espécies, apesar do desmatamento visível mínimo.

Ademais, minerais como lítio, cobalto e níquel são indispensáveis para tecnologias como baterias de veículos elétricos e armazenamento de energia renovável, mas sua extração pode impor custos ambientais substanciais. Por isso é necessário descobrir um ponto de equilíbrio entre a descarbonização e a proteção da biodiversidade.

A novidade pode gerar uma oportunidade de antecipação de descuidos ambientais e evitar a extinção de diversas espécies. Kanemoto disse: “Este estudo representa um grande passo em frente na compreensão da verdadeira pegada global da mineração e demonstra que o caminho para um futuro mais verde também deve explicar os custos ambientais ocultos dos materiais que a tornam possível.”


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: