Pesquisadores identificam 8 mil novas espécies de insetos no Equador
Pesquisadores foram capazes de identificar espécies até então desconhecidas pela ciência por meio de análise de material genético

Uma equipe de cientistas do Equador que atuou durante seis anos na catalogação de espécies em uma floresta protegida do Chocó Andino anunciou, por meio de publicação de artigo na revista científica Scientific Data nesta quinta-feira, 23, a descoberta de 8 mil novos tipos de insetos. A região é reconhecida pela Unesco como Reserva Mundial da Biosfera.
A pesquisa foi realizada na reserva privada Mashpi-Tayra, localizada no noroeste de Quito. Para chegar ao resultado, os especialistas analisaram o material genético dos insetos coletados e o compararam com registros disponíveis em bancos de dados científicos internacionais. Desse modo, foram capazes de identificar espécies até então desconhecidas pela ciência.
Como destacou Diego Inclán, diretor do Instituto Nacional de Biodiversidade do Equador, cerca de 97% das variedades identificadas não possuem registros em nenhuma outra parte do planeta. O pesquisador também mencionou que, entre os grupos mais representativos estão diferentes espécies de moscas, vespas e borboletas, que nunca haviam sido formalmente catalogadas.
Técnica utilizada
Conforme informações da agência de notícias AFP, os pesquisadores utilizaram uma técnica nova que permite diferenciar organismos por meio de seu DNA.
Usamos uma tecnologia nova para descrever as espécies por sua pegada genética. Uma diversidade genética é o equivalente à espécie. A única diferença é que não tem nome, tem um código”, disse Inclán.
O estudo integra um projeto internacional coordenado pelo Centro de Genômica da Biodiversidade da Universidade de Guelph, no Canadá. A iniciativa reúne pesquisadores de cerca de 50 países e busca compreender como as comunidades de artrópodes respondem às mudanças ambientais ao longo do tempo.
Para Mateo Roldán, diretor de pesquisa da reserva Mashpi, o trabalho representa uma importante fonte de informações para orientar estratégias de conservação já que, segundo ele, os dados obtidos podem contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas à proteção da biodiversidade em níveis regional e nacional.
Enquanto isso, Inclán afirmou que apenas parte do material coletado em Mashpi foi analisada até o momento. A expectativa é que, à medida que novas amostras sejam submetidas ao sequenciamento genético, o número de insetos desconhecidos identificados aumente.