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Caneta usada por Buzz Aldrin que salvou missão da Apollo 11 é leiloada

Caneta usada por Buzz Aldrin para religar disjuntor, que evitou um desastre na missão lunar Apollo 11, foi arrematada em leilão por R$ 4,7 milhões

Caneta usada por Buzz Aldrin na missão Apollo 11 que foi vendida em leilão / Crédito: Divulgação/Sotheby's

Uma caneta de feltro utilizada por Buzz Aldrin durante a missão Apollo 11, responsável por ajudar a evitar um possível fracasso no retorno da primeira tripulação que pousou na Lua, foi vendida por US$ 857,6 mil (cerca de R$ 4,7 milhões) em leilão promovido pela Sotheby’s, em Nova York, na última quarta-feira, 15.

O objeto, um marcador plástico Duro Rocket, foi usado pelo astronauta para religar manualmente um disjuntor danificado no módulo lunar Eagle após a histórica caminhada na superfície da Lua, em julho de 1969. O lote vendido também incluía o fragmento do interruptor quebrado, que quase comprometeu o retorno dos astronautas à Terra. Segundo a casa de leilões, cinco compradores disputaram o conjunto antes do arremate.

Salvos pela caneta

O incidente ocorreu pouco depois de Neil Armstrong e Buzz Aldrin concluírem a primeira atividade extraveicular da história em solo lunar. Enquanto se preparavam para descansar antes da viagem de volta, Aldrin percebeu que um pequeno interruptor preto havia se desprendido do painel do módulo.

O problema era considerado crítico porque o componente fazia parte do disjuntor responsável por fornecer energia ao motor de ascensão do Eagle. Sem esse sistema, Armstrong e Aldrin não conseguiriam decolar da superfície da Lua para reencontrar Michael Collins, que permanecia em órbita a bordo do módulo de comando Columbia aguardando o retorno dos colegas.

Em sua autobiografia publicada em 2009, Aldrin relembrou que aquele era “o único disjuntor vital” para acionar o motor que permitiria deixar a superfície lunar, de acordo com a Revista Galileu.

Anos depois, em uma carta apresentada pela Sotheby’s durante o leilão, o astronauta comentou o episódio em tom bem-humorado: “acho que Neil desligou o interruptor e Neil acha que fui eu”. Em outra autobiografia, lançada em 2016, Aldrin admite que provavelmente atingiu a peça acidentalmente com a mochila do traje espacial ao entrar ou sair do módulo.

Após a falha ser identificada, o Centro de Controle da Missão, em Houston, tentou encontrar uma solução remota para restabelecer o funcionamento do circuito. No entanto, nenhuma das alternativas apresentou resultado. Sem conseguir redirecionar a alimentação elétrica para o sistema, a equipe informou aos astronautas que não havia outra forma de religar o disjuntor.

Como o circuito permanecia energizado, utilizar qualquer objeto metálico representava risco de curto-circuito ou até de choque elétrico. Foi então que Aldrin recorreu a uma pequena caneta de feltro de plástico que carregava em um dos bolsos do traje espacial como parte de seu kit pessoal.

Com cuidado, o astronauta inseriu a ponta da caneta no local onde estava o interruptor quebrado e pressionou o mecanismo até restabelecer o contato elétrico. “A caneta resolveu o problema; o disjuntor aguentou. Afinal, podíamos voltar à Terra”.

O episódio transformou um objeto aparentemente comum em uma das peças mais conhecidas da história da exploração espacial. Segundo a Sotheby’s, foi justamente seu papel naquele momento decisivo da missão Apollo 11 que conferiu à caneta o elevado valor histórico e financeiro.

Fotografia de Buzz Aldrin na Lua / Crédito: Getty Images

Durante muitos anos, a história foi associada às famosas canetas espaciais Fisher, desenvolvidas para funcionar em ambientes sem gravidade. Aldrin, entretanto, esclareceu posteriormente que utilizou um marcador Duro Rocket de plástico. Segundo explicou, como engenheiro, jamais empregaria um instrumento com ponta metálica em um circuito elétrico energizado.

Após a missão, tanto a caneta quanto o fragmento do interruptor permaneceram durante décadas na coleção pessoal do astronauta. Os dois itens chegaram a integrar a exposição itinerante Destination Moon, organizada pelo Smithsonian para celebrar os 50 anos da chegada do ser humano à Lua.

Embora tenha alcançado quase US$ 860 mil, a caneta não se tornou o artefato espacial mais valioso já vendido em leilão. Entre os objetos ligados às missões Apollo, o recorde continua pertencendo ao relógio Bulova utilizado durante a Apollo 15, vendido por US$ 1,625 milhão em 2015. Considerando todos os itens relacionados à exploração espacial, o maior valor permanece com a cápsula soviética Vostok 3KA-2, arrematada por quase US$ 2,9 milhões em 2011.

O próprio Buzz Aldrin já protagonizou uma venda ainda mais expressiva. Em 2022, a jaqueta utilizada por ele durante o voo da Apollo 11 foi leiloada por aproximadamente US$ 2,77 milhões. Hoje, aos 96 anos, Aldrin permanece como um dos poucos astronautas vivos que caminharam na Lua durante o programa Apollo.

Enquanto a caneta utilizada em um dos momentos mais delicados da missão passa agora às mãos de um colecionador anônimo, a exploração lunar volta a ocupar lugar de destaque nos programas espaciais. A NASA prepara novas missões tripuladas por meio do programa Artemis, enquanto a China também desenvolve planos para enviar astronautas à superfície lunar antes do fim da década.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.