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Família de Messi passou pelo Brasil antes de chegar à Argentina, revela pesquisa

Levantamento aponta que ramo materno do craque viveu em Ribeirão Preto, onde o sobrenome da família foi alterado antes da migração

Lionel Messi, Copa do Mundo de 2026 - Getty Images

A trajetória da família de Lionel Messi até a Argentina passou pelo Brasil e inclui uma curiosa mudança de sobrenome. Um levantamento realizado pelo pesquisador italiano Fiorenzo Santini revelou que o ramo materno do jogador viveu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, antes de se estabelecer em território argentino. Foi durante essa passagem que o sobrenome original Coccittini teria sido alterado para Cuccittini, forma pela qual a família ficou conhecida.

A pesquisa foi publicada pelo jornal italiano Cronache Maceratesi na véspera da final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina, em 19 de julho. Há décadas, Santini, jornalista da cidade de Camerano, dedica-se a reconstruir a história da emigração de famílias da região italiana das Marcas para a América do Sul.

A mudança do sobrenome

Segundo o pesquisador, a história da família de Messi começa por dois ramos distintos. Pelo lado paterno, Angelo Messi, trisavô do jogador, deixou a localidade de Valle Cantalupo, atualmente chamada Montefiore di Recanati, em 1893, seguindo para a cidade argentina de Rosário.

De acordo com Santini, o pai de Angelo teria incentivado a mudança ao afirmar que, na Argentina, “comia-se carne”, argumento que teria motivado a decisão de emigrar.

Já o lado materno apresentou um desafio maior para a pesquisa. O sobrenome Cuccittini praticamente não existe na Itália, o que levou Santini a investigar durante anos a origem da família. A resposta surgiu em uma conversa com uma tia dos parentes de Messi, que afirmou que os antepassados vieram de San Severino, na região das Marcas.

A partir dessa informação, o pesquisador descobriu que a grafia original era Coccittini. Segundo o levantamento, a alteração ocorreu durante a passagem da família por Ribeirão Preto, período em que diversos sobrenomes de imigrantes italianos acabaram sofrendo mudanças em registros realizados no Brasil.

A descoberta também resultou em um reconhecimento simbólico: Messi recebeu a cidadania honorária da cidade italiana de San Severino.

Pesquisa também ajudou na cidadania italiana

O estudo de Santini também teve desdobramentos anos depois. Em 2015, Jorge Messi, pai do atacante, procurou o pesquisador em busca de auxílio para ampliar o reconhecimento da cidadania italiana para sua esposa e seus filhos.

Durante as conversas, Santini descobriu que a família já constava no registro civil de Recanati, na Itália, sem que os próprios familiares tivessem conhecimento dessa informação.

Além de investigar a genealogia de Messi, o pesquisador também reconstruiu as origens do técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni.

Segundo o levantamento, Scaloni possui ascendência ligada à região das Marcas pelos dois lados da família. Sua árvore genealógica reúne antepassados originários de Magliano di Tenna, Montegiorgio, Monte San Pietrangeli, Rotella e Montegranaro.

Em Pujato, cidade argentina onde o treinador nasceu, 95 moradores carregam sobrenomes de origem marchigiana. O estudo destaca ainda que a prefeitura de Magliano di Tenna trabalha para estabelecer um acordo de cidades-irmãs com o município argentino.

A pesquisa também chama atenção para a forte presença de descendentes da região das Marcas na Argentina. Segundo Santini, cerca de 1,5 milhão de argentinos possuem origem nessa parte da Itália, número semelhante ao da população atual da própria região italiana.

Sobre uma possível ligação do atacante Lautaro Martínez com as Marcas, o pesquisador afirmou que, até o momento, não existem confirmações que permitam estabelecer essa relação.


*Sob supervisão de Éric Moreira