Estudo revela que o Sol é muito mais rico em prata do que se imaginava
Com o auxílio de supercomputadores, pesquisadores corrigem dados químicos do sistema solar e alinham a história do astro à dos meteoritos formados há 4,6 bilhões de anos

Uma reavaliação minuciosa da luminosidade solar revelou que a presença de prata na estrela supera em 55% as projeções científicas aceitas anteriormente. Publicado no periódico Astronomy & Astrophysics em 17 de julho, o estudo desenvolvido na Universidade de Uppsala, na Suécia, utilizou simulações digitais de alta complexidade para recalcular a química do astro. O resultado coloca fim a um impasse de décadas na astronomia, unificando a assinatura elementar do Sol à dos meteoritos primitivos que se formaram simultaneamente ao sistema.
Impressões digitais estelares
Embora o Sol seja composto majoritariamente por hidrogênio e hélio, aproximadamente 1,5% de sua massa é formada por elementos mais pesados, como o ferro e a própria prata. De acordo com informações publicadas pela Revista Galileu, esses componentes funcionam como um registro histórico da evolução do universo.
Eles são forjados no interior de estrelas ou durante supernovas, que são explosões monumentais que marcam o fim da vida de astros massivos, espalhando matéria pelo cosmos. Sobre a relevância da análise, a pesquisadora Sema Caliskan afirma que “compreender melhor a composição do Sol ajuda a interpretar também a formação de outras estrelas, planetas e da matéria cósmica”.
Precisão via supercomputador
Para chegar ao novo número, os cientistas utilizaram a espectroscopia, uma técnica que analisa a luz solar em busca de linhas espectrais. Essas marcas escuras funcionam como “impressões digitais” de cada elemento químico presente na atmosfera. A precisão do novo cálculo só foi possível graças ao supercomputador sueco Tetralith, que simulou de forma dinâmica as camadas externas do astro.
Em comunicado oficial da instituição, Sema Caliskan ressaltou que “essa abordagem permitiu interpretar essas assinaturas luminosas com muito mais precisão, levando à revisão da quantidade de prata existente na estrela”. O novo método incluiu simulações de como os átomos interagem com a radiação em estado de não equilíbrio.
Mistério bilionário resolvido
A revisão dos dados encerra um longo debate sobre a formação do nosso Sistema Solar. Anteriormente, as medições indicavam que o Sol tinha muito menos prata do que os meteoritos primitivos, o que gerava dúvidas sobre a origem comum de ambos há 4,6 bilhões de anos. Como as duas partes nasceram da mesma nuvem de gás e poeira, os valores deveriam ser idênticos.
Com a nova estimativa, as informações finalmente concordam. Projetando novos estudos, Sema Caliskan pontua que “o mesmo método poderá ser aplicado agora a outras estrelas para investigar onde a prata é produzida no universo” e como ela foi distribuída pela Via Láctea ao longo das eras.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli