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Âmbar mais antigo que os dinossauros é encontrado na China

Pesquisadores encontraram âmbar mais antigo do mundo; toxina produzida por árvores é capaz de armazenar material biológico por milhões de anos

Fotografias do âmbar mais antigo do mundo disponibilizadas pelo estudo
Fotografias do âmbar mais antigo do mundo disponibilizadas pelo estudo - Créditos: Divulgação/ScienceAdvances(2026) Cihang Luo - DOI: 10.1126/sciadv.aeh1266

Na região de Xinjiang, extremo noroeste da China, um grupo de cientistas da Academia Chinesa de Ciências, em parceria com pesquisadores norte-americanos e alemães, descobriu os fragmentos do âmbar mais antigo do mundo.

Encontrados em uma camada de carvão, os objetos datam do período do Devoniano Médio, mais ou menos há 385 milhões de anos. Nesse sentido, a resina encontrada na China é mais antiga que o surgimento dos primeiros dinossauros.

O material é uma forma de defesa produzida pelas árvores contra qualquer tipo de ameaça ou estresse que a planta possa ter. Essa resina geralmente aparece para proteger a planta de fungos ou pequenos animais próximos à seiva. Por isso, é possível que no âmbar fique armazenado fragmentos de animais ou de plantas por milhões de anos.

O âmbar mais antigo do mundo

De acordo com os estudos publicados na revista Science Advances nesta quarta-feira, 15 de julho, além da surpresa desse material sobreviver tanto tempo, os cientistas ficaram impressionados com a capacidade de uma árvore tão primitiva já ser capaz de produzir e expelir essa resina. O primeiro autor do estudo, Cihang Luo, declarou ao portal ScienceAlert:

Nosso âmbar provém do Devoniano Médio, antes do surgimento e diversificação das plantas com sementes. Isso significa que uma planta vascular sem sementes já era capaz de produzir resina terpenoide quimicamente complexa”.

Mas a descoberta não foi tão fácil. Para identificar o material, os cientistas tiveram de ir até a Formação Hujiersite, situada na região chinesa que é conhecida por sua antiguidade. Nesse sentido, foi somente quando a equipe lançou luzes ultravioleta que os fragmentos puderam se destacar e os cientistas os identificarem.

Assim, ao realizar alguns testes químicos de datação, constataram que os pedaços de âmbar datavam de 385 milhões de anos atrás. Conforme ao Metrópoles, até então esse é reconhecido como o âmbar mais antigo do mundo. Embora não tenha sido possível identificar de qual árvore veio o material, os descobridores indicaram que possivelmente a árvore ativou a sua defesa contra fungos parasitas ou incêndios florestais. Luo destaca:

Os locais mais promissores para pesquisa seriam os carvões ricos em matéria orgânica do Devoniano Inferior, os xistos carbonosos e os sedimentos de granulação fina que preservam cutículas vegetais abundantes e que sofreram alteração térmica relativamente baixa”.

De qualquer forma, os cientistas continuarão as investigações em camadas ainda mais profundas para tentar identificar mais sedimentos desse material histórico.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: