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Escavação em antigo Túmulo da Bruxa revela segredos de sepultura neolítica na Escócia

Pesquisadores encontraram cerâmica, ferramentas de sílex e novas pistas sobre monumento funerário conhecido como Túmulo da Bruxa

“Túmulo da Bruxa” - Foto: Archeology Scotland

Uma escavação arqueológica realizada no monumento pré-histórico conhecido localmente como “Túmulo da Bruxa”, na ilha de South Uist, na Escócia, revelou novos detalhes sobre uma antiga câmara funerária construída há aproximadamente 6 mil anos.

O sítio arqueológico, localizado em Leaval, corresponde ao que restou de um cairn neolítico, uma estrutura formada por pedras empilhadas e utilizada como monumento funerário. Datado de aproximadamente 4000 a.C., o local teria sido construído como uma câmara de pedra destinada ao sepultamento de membros das comunidades neolíticas que habitavam a região.

Os trabalhos fazem parte do Scotland’s Earliest Megalithic Monuments Project, uma iniciativa conduzida por pesquisadores em parceria com o Uist Community Archaeology Group. O projeto conta com apoio do Audrey Henshall Legacy Award, concedido pela Society of Antiquaries of Scotland, e da Historic Environment Scotland.

Escavação revelou estruturas escondidas

O início da pesquisa ocorreu com a remoção da camada de turfa em uma trincheira próxima à câmara principal. A retirada do material revelou rapidamente pedras pertencentes ao cairn original que envolvia o monumento.

Durante o avanço das escavações, o presidente do Uist Community Archaeology Group, Simon Davies, realizou modelos tridimensionais diários para registrar as etapas do trabalho e documentar as descobertas feitas pela equipe.

Os primeiros achados relevantes surgiram logo no segundo dia de escavação. Os pesquisadores encontraram pregos de ferro relacionados a investigações anteriores realizadas na década de 1990. Porém, o principal destaque veio após a abertura de uma segunda trincheira dentro da própria câmara funerária.

No local, arqueólogos recuperaram um fragmento de cerâmica pré-histórica encontrado junto a pequenas pedras posicionadas entre duas das grandes lajes verticais que formam a estrutura.

Uso prolongado do Túmulo da Bruxa

Nos dias seguintes de pesquisa, a equipe encontrou ferramentas de sílex, lascas produzidas durante a fabricação desses instrumentos e outros fragmentos de cerâmica espalhados por diferentes áreas do sítio arqueológico.

Além disso, os pesquisadores identificaram o que pode ser o traçado de um recinto da Idade do Bronze construído sobre o cairn. A estrutura estava orientada de leste a oeste e reforça a possibilidade de que o monumento tenha continuado importante para diferentes grupos humanos muito tempo depois de sua construção original.

A descoberta indica que o local não foi apenas uma sepultura utilizada em um único momento, mas uma estrutura que permaneceu integrada à paisagem e recebeu novos significados ao longo dos séculos.

Estrutura misteriosa dentro da câmara intriga arqueólogos

Durante o quarto dia de escavações, os pesquisadores concentraram a atenção em uma estrutura circular encontrada no interior da câmara funerária.

Segundo a equipe, ainda não é possível determinar exatamente sua função. Entre as hipóteses analisadas estão a possibilidade de que seja um buraco de poste pertencente a uma estrutura anterior ao cairn, um vestígio relacionado à construção da própria câmara ou até uma marca deixada por antigas tentativas de saque do monumento.

Para investigar melhor a origem dessa estrutura, os arqueólogos coletaram amostras de fosfato. A análise científica pode ajudar a identificar sinais de materiais orgânicos que não permanecem visíveis no registro arqueológico.

Dentro da câmara, os vestígios encontrados permanecem limitados principalmente a pequenos fragmentos de sílex lascado e quartzo. Já fora da estrutura principal, a escavação alcançou uma antiga superfície do solo preservada sob as pedras do cairn.

Os pesquisadores também analisam uma das pedras da câmara oeste do monumento para compreender melhor as técnicas de construção utilizadas pelos povos neolíticos.

A pesquisa no “Túmulo da Bruxa” integra os esforços para estudar os monumentos megalíticos mais antigos da Escócia e ampliar o conhecimento sobre as comunidades que ergueram essas estruturas há mais de seis mil anos.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes