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Tapeçaria medieval de Bayeux retorna ao Reino Unido após mil anos

Operação secreta de transporte leva obra de 70 metros ao Museu Britânico sob escolta policial e aplausos de diplomatas franceses e ingleses

Fotografia da tapeçaria de Bayeux
Fotografia da tapeçaria de Bayeux - Créditos: Getty Images

Em uma operação envolta em sigilo absoluto, a Tapeçaria de Bayeux chegou ao Museu Britânico na madrugada desta sexta-feira, 10 de junho, marcando seu retorno à Inglaterra após quase mil anos. O artefato de 70 metros de comprimento, que retrata a histórica conquista normanda de 1066, cruzou o Canal da Mancha para uma exposição que deve atrair milhões de visitantes a partir de setembro. A logística envolveu anos de negociações e estudos técnicos para garantir a preservação da obra medieval.

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Operação noturna e secreta

O transporte durou cerca de 11 horas e contou com a escolta das polícias Metropolitana e de Kent. Conforme detalhado pelo veículo The Guardian, o caminhão chegou ao museu por volta das 3h da manhã, após percorrer as ruas vazias de Londres. 

O artefato foi cuidadosamente acondicionado em estilo sanfona dentro de uma caixa climatizada, protegida por um berço de absorção de choques. No momento em que o contêiner foi descarregado na baia do museu, funcionários e diplomatas presentes romperam o silêncio com aplausos entusiasmados.

O diretor da instituição, Nicholas Cullinan, afirmou que ver a chegada da tapeçaria é um momento inesquecível e que espera ver a exposição ganhar forma nas próximas semanas. Ele destacou que o esforço monumental envolveu diversos parceiros entre o Reino Unido e a França. O presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou em artigo que este empréstimo é uma “expressão tangível de uma amizade de longa data e um sinal do nosso desejo compartilhado de ver a França e o Reino Unido construírem seu futuro juntos”.

Marco histórico de amizade

A secretária de cultura britânica, Lisa Nandy, declarou: “Não se engane, este é um momento histórico e um ato significativo de amizade ao darmos as boas-vindas a esta tapeçaria icônica de volta à Grã-Bretanha”. Tecnicamente, a obra é um bordado de lã em tecido de linho que descreve os eventos que culminaram na Batalha de Hastings. Naquela ocasião, William, o Duque da Normandia, derrotou o exército anglo-saxão do rei Harold, encerrando o domínio saxão de 500 anos e vinculando as histórias de França e Inglaterra.

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Alta demanda de público

O interesse do público superou as expectativas. Cerca de 100 mil ingressos foram vendidos apenas no primeiro dia de comercialização este mês. Conforme o The Guardian, o museu espera receber cerca de 7,5 milhões de visitantes até o fim do empréstimo em julho de 2027. 

Nicholas Cullinan comparou a procura por ingressos à do festival de música de Glastonbury, observando que é impressionante como as pessoas se importam com um bordado de um milênio de idade. O objeto passará agora por alguns dias de aclimatação antes de ser desempacotado para a montagem final.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.