China revela imagem inédita de ‘minilua’ misteriosa da Terra
Sonda Tianwen-2 chegou ao asteroide Kamo'oalewa e iniciou missão que pode revelar sua origem e composição

A China divulgou a primeira imagem em close de um dos objetos mais curiosos próximos da Terra. O registro foi feito pela sonda Tianwen-2, que alcançou o asteroide Kamo’oalewa, também conhecido como 2016 HO3, um raro “quase-satélite” do planeta.
A fotografia marca uma etapa importante da missão espacial chinesa, que percorreu cerca de 1 bilhão de quilômetros até chegar ao pequeno corpo celeste. A Administração Espacial Nacional da China (CNSA) informou que a sonda alcançou o destino após aproximadamente 400 dias de viagem e já iniciou as primeiras observações científicas.
Apesar de ser chamado popularmente de “minilua”, Kamo’oalewa não é uma lua da Terra. O objeto realiza sua órbita principal ao redor do Sol, mas acompanha o planeta em uma trajetória estável por longos períodos, característica que o classifica como um quase-satélite.
Sonda chinesa inicia estudo de asteroide raro
A imagem foi capturada quando a Tianwen-2 estava a cerca de 20 quilômetros de distância do asteroide. Com tamanho estimado entre 30 e 100 metros de diâmetro, Kamo’oalewa pode estar entre os menores objetos já visitados por uma missão espacial.
Agora, os pesquisadores querem compreender melhor as características desse pequeno corpo celeste. Entre os principais objetivos da missão estão descobrir sua forma, analisar sua estrutura interna, investigar sua composição química e verificar a possível presença de minerais relacionados à água.
Outro ponto de interesse dos cientistas é entender se o asteroide é formado por um único bloco rochoso ou se consiste em vários fragmentos unidos pela própria gravidade.
A missão Tianwen-2 também representa um marco para o programa espacial chinês, já que será a primeira tentativa do país de coletar amostras de um asteroide e trazê-las de volta para a Terra.
“Minilua” pode ter ligação com a Lua
Uma das hipóteses mais intrigantes sobre Kamo’oalewa é que ele pode ter uma origem lunar. Segundo essa possibilidade, o objeto seria um fragmento lançado ao espaço após um grande impacto ocorrido na superfície da Lua no passado.
A análise das amostras coletadas pela Tianwen-2 poderá ajudar a confirmar ou descartar essa teoria. Estudos indicam que comparações da composição mineralógica e isotópica do material seriam suficientes para revelar se o asteroide realmente possui uma ligação com o nosso satélite natural.
Entre os objetos próximos da Terra já identificados, o 2016 HO3 se destaca por sua órbita incomum. A origem do corpo celeste ainda permanece desconhecida, assim como muitos detalhes sobre suas características físicas.
Por isso, os cientistas consideram Kamo’oalewa um alvo especialmente importante para compreender como esses quase-satélites surgem e como suas trajetórias evoluem ao longo do tempo.
Missão seguirá para outro corpo misterioso
A Tianwen-2 permanecerá estudando Kamo’oalewa durante aproximadamente nove meses. Nesse período, a equipe pretende identificar a melhor área para realizar a coleta de amostras antes de iniciar o retorno do material à Terra.
Após essa etapa, a missão seguirá viagem em direção ao cometa 311P, localizado no cinturão principal de asteroides, além da órbita de Marte. O objeto também desperta interesse dos pesquisadores por apresentar uma característica incomum: uma cauda de poeira formada por seis filamentos.
A expectativa é que a missão chinesa ajude a ampliar o conhecimento sobre pequenos corpos do Sistema Solar e revele informações sobre os processos que aconteceram durante sua formação e evolução.
Além de investigar a origem de Kamo’oalewa, a Tianwen-2 poderá oferecer pistas sobre a história do próprio ambiente espacial próximo à Terra, ajudando cientistas a compreender melhor a dinâmica dos objetos que circulam pela nossa região do Sistema Solar.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes