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Funerais da Península Ibérica da Idade do Ferro revelam uma sociedade conectada

Novo estudo sobre restos funerários da Península Ibérica da Idade do Ferro mostraram costumes e cerâmica dos fenícios e outros povos

Foto de pesquisadores segurando estela de Funerais da Península Ibérica da Idade do Ferro
Foto de pesquisadores segurando estela de Funerais da Península Ibérica da Idade do Ferro - Créditos: Divulgação/Universidade de Durham

Recentemente, arqueólogos descobriram uma das evidências mais claras sobre o propósito das estelas decoradas da Península Ibérica da Idade do Bronze. Os itens que a primeira vista podem só indicar um rito funerário, revelaram circuitos sociais e comerciais muito mais complexos na sociedade pré histórica.

Em Las Capellanias, no sudeste da Espanha, três monumentos de pedra única esculpidos foram colocados ao lado de enterros e uma antiga estrada. De acordo com o artigo publicado na Antiquity, as “lápides” pré históricas serviam de sepulturas e marcos para rotas de viagem e comércio.

A Península Ibérica da Idade do Ferro

Os itens arqueológicos foram encontrados perto de Cañaveral de León, na província de Huelva, mas também se espalham por toda a Península Ibérica. Porém, até hoje, poucas haviam sido encontradas em suas localidades originais, como essas.

Para encontrar essas, os arqueólogos começaram a investigar uma estrada moderna que uma das estelas já havia sido avistada. Em uma área de 5km houveram escavações entre 2019 e 2023, descobrindo mais duas estelas decoradas e 18 estruturas funerárias, das quais 8 já foram totalmente escavadas.

Assim, as datações mostram que a região serviu de cemitério para os antigos do segundo milênio ao primeiro milênio antes de Cristo. Especificamente durante os séculos 8 e 6 a. C., a atividade funerária alcançou seu auge.

Nesse sentido, havia as covas da Idade do Bronze em que as sepulturas eram revestidas com lajes de pedras e continham cerâmicas com restos cremados. Até mesmo uma fíbula de bronze foi encontrada.

Já as da Idade do Ferro seguiam outro estilo. De acordo com a Archaeology Magazine, eram poços revestidos de pedras, dentro deles haviam urnas cheias de restos cremados, carvão, objetos de bronze e até um brinco de prata.

De fato, os itens encontrados podem revelar que, na verdade, a sociedade da Península Ibérica da Idade do Ferro tinha fortes ligações com culturas ligadas pelo mediterrâneo, especialmente os fenícios.

Redes de conexão

Talvez o maior indício dessa conexão seja uma urna La Cruz del Negro, um estilo de cerâmica ligado à influência fenícia do século 9 a. C. em diante, que foi encontrada ao lado da estrada. Juntamente com a urna, broches de bronze, contas de vidro e cornalina, um cinto estilo Tartessiano, joias de prata e um conjunto de produtos de higiene pessoal de bronze também mostram uma forte presença de comerciantes na região.

Não obstante, os estudiosos examinaram as cinzas enterradas. Dessa forma, foram identificados 14 indivíduos, mas que alguns continham isótopos de peixes, mesmo que o litoral ficasse a 100 quilômetros de distância — característica que aponta para uma rede de comércio longa, rápida e consistente.

Outra característica presente é a posição dos enterros. Nenhum deles se sobrepunha, sinal de organização geracional. Em realidade, as estelas e enterros se espalhavam nas encostas de rotas conhecidas da antiguidade, provavelmente servindo de sinais de localização. Ou seja, quase como as placas “cidade há 2km”.

De todo modo, os arqueólogos destacam a raridade do sítio arqueológico. Não é frequente encontrar tradições da Idade do Bronze, da Idade do Ferro e influências fenícias em um mesmo lugar. De modo que esses ritos funerários revelam uma sociedade muito mais conectada e interligada, comercialmente e culturalmente, do que imaginávamos.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: