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Técnica em ouro perdida da Dinastia Ming do Sul é recriada após quase 500 anos

Após 500 anos de mistério, a técnica perdida da Dinastia Ming do Sul é reconstruída por cientistas chineses; entenda o mistério!

Brinco com Técnica em ouro perdida da Dinastia Ming do Sul aplicada
Brinco com Técnica em ouro perdida da Dinastia Ming do Sul aplicada - Crédios: Divulgação/ Tian, Z., Ren, K., & Jiang, Z., NPJ Heritage Science (2026)

Recentemente, pesquisadores analisaram e passaram a reproduzir a técnica em ouro da Dinastia Ming do Sul.

Encontrados na província de Hubei, joias finas e trabalhadas foram encontradas na tumba do Príncipe Zhu Zairong, falecido em 1545. Contudo, esse brinco tinha um padrão impressionante, apresentando uma aparência filigrana.

Mas a dinastia não tinha o conhecimento do arame ainda, gerando dúvida entre os pesquisadores. Assim, os cientistas passaram a tentar reproduzir as possíveis técnicas utilizadas pelos Ming do Sul.

A filigrana tradicional depende de fios finos torcidos e soldados em padrões de renda. No entanto, os pesquisadores que publicaram o artigo na Heritage Science descobriram, quase 500 anos depois, que o Jin zhe si — a técnica empregada em questão — utilizava folhas de ouro dobradas.

Desse modo, a folha de ouro, extremamente fina, é pressionada em dobras paralelas e apertadas, criando dobras que parecem fios paralelos, típico do filigrana.

Dinastia Ming do Sul

Conforme a Archaeology Magazine, para chegar nesse resultado os cientistas utilizaram a engenharia reversa. Eles partiram de desenhos e foram reconstruindo uma réplica de todas as maneiras que a tecnologia do século 16 possibilitava. De acordo com a pesquisa, a diferença entre réplica e original ficou perto de um grama.

Dessa maneira, os experimentos demonstraram a ciência e metalurgia produzida na época. Pois, ao tentarem fazer o mesmo processo com folhas de prata e alumínio, as folhas quebravam ou rasgavam., de modo que somente as folhas de ouro de altíssima pureza resistiam à modelagem.

Surpreendentemente, justamente a necessidade da pureza do ouro fez com que a técnica não se tornasse fácil de se reproduzir, visto que, o ouro possuía alto valor em toda a sociedade do século 16.

Também pode-se destacar que a reconstrução sugere que os artesãos usaram ferramentas duras lisas para pressionar a folha, provavelmente cunhas de jade, fe modo que cada brinco levaria por volta de um dia inteiro para ser feiro por um artesão experiente.

Embora o estilo visual seja o mesmo do padrão de filigrana, o estudo separa o Jin zhe si enquanto técnica, assim, alertando museus que classificaram erradamente esse tipo de item arqueológicos. De todo modo, a tecnologia desenvolvida durante a Dinastia Ming mostra como a experiência e séculos de desenvolvimento conseguem enganar até mesmo os pesquisadores modernos.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: