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James Webb revela como nascem algumas das maiores galáxias do Universo

Observações da radiogaláxia TGSS J1530+1049 mostram um complexo processo de fusão que pode explicar a origem das galáxias mais massivas

Imagens do Telescópio Espacial James Webb mostram etapas de formação de uma galáxia. - Foto: NASA, ESA e Hubble Heritage Team (STScIAURA)

O processo de formação das maiores galáxias do Universo acaba de ganhar um novo capítulo. Uma equipe internacional de astrônomos realizou observações detalhadas da radiogaláxia TGSS J1530+1049 com o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e identificou um sistema extremamente complexo que pode revelar como surgiram algumas das estruturas mais massivas conhecidas no cosmos.

Segundo informações divulgadas por O Globo, as imagens obtidas pelo telescópio permitiram aos pesquisadores observar a galáxia como ela existia no início do Universo. Localizada a cerca de 2 bilhões de anos-luz de distância, a TGSS J1530+1049 funciona como uma espécie de registro do passado, permitindo investigar como essas gigantes cósmicas começaram a se formar muito antes do surgimento da Via Láctea.

Observações revelam estrutura inesperada

Os resultados foram publicados nos periódicos científicos Open Journal of Astrophysics e Astronomy & Astrophysics. Inicialmente identificada como uma única radiogaláxia, a TGSS J1530+1049 revelou uma estrutura muito mais complexa do que os pesquisadores imaginavam.

As radiogaláxias diferem das galáxias comuns por emitirem intensas ondas de rádio, normalmente associadas à presença de um buraco negro supermassivo em seu núcleo. No caso da TGSS J1530+1049, as novas observações mostraram que aquilo que parecia ser apenas um único objeto é, na realidade, um sistema composto por pelo menos dez estruturas diferentes.

Os cientistas conseguiram organizar esses objetos em dois grandes grupos com características distintas, ampliando significativamente a compreensão sobre a composição da radiogaláxia.

Sistema reúne diferentes tipos de galáxias

À esquerda, em tons de verde, estão as galáxias detectadas. À direita, as estruturas de gás são mostradas em azul. O número 2 é a radiogaláxia identificada. – Foto: Telescópio James Webb

Segundo um dos estudos, um dos grupos apresenta propriedades típicas do meio interestelar e é dominado pela radiação emitida pelo gás. Já o segundo reúne seis galáxias cuja luminosidade é produzida principalmente pelas estrelas que as compõem.

Em um dos artigos científicos, a pesquisadora argentina Victoria Reynaldi explicou que essa divisão permitiu compreender melhor a estrutura do sistema e os diferentes processos físicos presentes em cada conjunto de galáxias.

Além disso, os pesquisadores identificaram uma galáxia ativa responsável pela intensa emissão de ondas de rádio. Eles também verificaram que todas essas galáxias possuem massas extremamente elevadas e permanecem agrupadas muito próximas umas das outras.

Produção intensa de estrelas chama atenção

Outro aspecto que surpreendeu os pesquisadores foi o ritmo de formação estelar observado na TGSS J1530+1049.

Segundo o estudo, as galáxias produzem cerca de 100 estrelas semelhantes ao Sol por ano, uma taxa muito superior à registrada na Via Láctea, onde surgem aproximadamente cinco estrelas anualmente.

Essa intensa atividade reforça a ideia de que o sistema ainda está em pleno processo de evolução.

Fusão poderá originar uma megagaláxia

Os pesquisadores acreditam que as galáxias continuarão se aproximando gradualmente até se fundirem. No futuro, esse processo deverá dar origem a uma megagaláxia semelhante às enormes estruturas encontradas atualmente nas regiões centrais do Universo, conhecidas por serem extremamente brilhantes, antigas e massivas.

Segundo os autores, os resultados desafiam as teorias atuais sobre a formação das galáxias no início do Universo. Embora os modelos previssem que essas estruturas gigantes surgiriam a partir da união de sistemas menores, esse processo nunca havia sido observado de maneira tão detalhada.

Como os grandes aglomerados de galáxias ainda não existiam naquele período remoto da história cósmica, os cientistas concluem que a TGSS J1530+1049 provavelmente registra um dos primeiros estágios da fusão responsável pelo nascimento das galáxias mais massivas do Universo.


*Sob supervisão de Éric Moreira