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Crânio de criança de 4 mil anos é encontrado em abrigo rochoso na Noruega

Descoberta em um sítio arqueológico na costa oeste do país pode ampliar o conhecimento sobre os primeiros agricultores da região

Fragmentos do crânio de uma criança de um enterro de 4.000 anos encontrados em Skipshelleren. - Crédito: Thomas Bruen Olsen, Museu Universitário, Universidade de Bergen (UiB)

Um crânio infantil com cerca de 4 mil anos de idade foi encontrado por arqueólogos durante escavações em Skipshelleren, um abrigo rochoso localizado na costa oeste da Noruega. A descoberta está ajudando pesquisadores a compreender melhor como viviam as primeiras comunidades agrícolas da região, além de revelar novos detalhes sobre a ocupação humana de um dos mais importantes sítios pré-históricos do país.

O achado integra o projeto INDICAVE, desenvolvido por equipes da Universidade de Bergen e da Universidade de Tromsø. A iniciativa investiga cavernas e abrigos rochosos distribuídos ao longo da costa norueguesa para entender quem ocupou esses locais ao longo da pré-história e de que maneira eles foram utilizados.

Situado próximo a um fiorde, Skipshelleren é protegido por uma grande saliência rochosa que mantém seu interior seco mesmo durante chuvas intensas. Essa característica favoreceu a preservação de vestígios arqueológicos por milhares de anos. Segundo os pesquisadores, o abrigo foi utilizado por cerca de 7.500 anos, tornando-se um importante registro da presença humana na região desde os primeiros períodos da pré-história.

Escavações revelam área preservada por milênios

Foto durante a escavação. Arqueólogos Knut Andreas Bergsvik (à esquerda) e Erlend Kirkeng Jørgensen (à direita). – Crédito: Thomas Bruen Olsen, Museu Universitário, Universidade de Bergen (UiB)

Embora o local já tivesse sido escavado em 1931, acreditava-se que todo o material arqueológico havia sido removido naquela ocasião. No entanto, as novas pesquisas revelaram uma área que permaneceu intocada sob antigas camadas de escavação, preservando uma sequência de registros que nunca havia sido estudada.

Foi justamente nessa área que os arqueólogos encontraram o crânio de uma criança que, segundo as análises iniciais, morreu entre os dois e quatro anos de idade. A descoberta também ajudou a solucionar uma história iniciada há sete décadas.

Em 1955, uma moradora da região chamada Bjørg Dæmring Berge encontrou partes do mesmo esqueleto nas proximidades do abrigo. Durante a atual campanha arqueológica, ela retornou ao sítio e conseguiu indicar aos pesquisadores o local exato onde havia feito a descoberta anos atrás. A informação permitiu localizar outros ossos pertencentes ao mesmo sepultamento.

Abrigo serviu como moradia e cemitério

Paleontólogo Hanneke J.M. Meijer exibe uma coleção de ossos de animais pré-históricos escavados no local. – Crédito: Thomas Bruen Olsen, Museu Universitário, Universidade de Bergen (UiB)

Além do enterro infantil, as escavações revelaram milhares de evidências sobre a ocupação do local ao longo de milênios. Os pesquisadores recuperaram aproximadamente 40 mil ossos de animais, pertencentes a peixes, aves e mamíferos, que agora serão identificados e catalogados.

Também foram encontrados instrumentos confeccionados em pedra e osso, fragmentos de cerâmica e anzóis, materiais que ajudam a reconstruir aspectos do cotidiano das populações que viveram na região. Algumas das camadas arqueológicas escavadas possuem aproximadamente 7 mil anos.

Segundo os arqueólogos, o conjunto de descobertas indica que Skipshelleren não funcionava apenas como abrigo temporário. O local serviu tanto como espaço de moradia quanto como cemitério durante a Idade da Pedra, reunindo evidências das atividades diárias e dos rituais funerários realizados por seus antigos habitantes.

DNA pode revelar quem eram os primeiros agricultores

Escavação em Skipshelleren, perto de Straume, em Vaksdal, ao longo do sistema do Rio Voss. – Crédito: Thomas Bruen Olsen, Museu Universitário, Universidade de Bergen (UiB)

Além dos materiais arqueológicos, os pesquisadores coletaram diversas amostras de solo, incluindo vestígios de plantas, material destinado à datação e DNA antigo preservado nas camadas sedimentares. Esses elementos serão utilizados para reconstruir uma linha do tempo da ocupação humana no abrigo ao longo de milhares de anos.

O esqueleto da criança também será submetido a análises de DNA e de isótopos. Segundo a equipe responsável pelo projeto, esses exames poderão fornecer informações sobre a alimentação, as características biológicas e as possíveis origens das populações que viveram na costa da Noruega durante o início da agricultura, repercute o Archaeology News.

Com a nova descoberta, Skipshelleren reforça sua importância como um dos sítios arqueológicos mais relevantes da costa norueguesa, preservando evidências que ajudam a compreender milhares de anos da história humana na região.


*Sob supervisão de Éric Moreira