Matérias / A Guerra de Todos

O símbolo da presença estrangeira na China na Segunda Guerra

Modelo criado no século XIX transformou a cidade da China em um dos principais centros comerciais da Ásia, reunindo comunidades europeias

Tianjin China capa
Registro de Tianjin em 1937 - Getty Images

A cidade de Tianjin, na China, tornou-se, entre o fim do século XIX e a primeira metade do século XX, um dos maiores exemplos da presença estrangeira em território chinês. Resultado de acordos firmados entre a dinastia Qing e potências europeias, o município passou a abrigar concessões internacionais que reuniam representantes de diversos países em áreas administradas com ampla autonomia, impulsionando o comércio e transformando a região em um importante centro econômico do norte da China.

A criação dessas concessões ocorreu em um contexto de crescente tensão entre a China imperial e as nações europeias. Após séculos de relações comerciais, comerciantes estrangeiros passaram a contestar os rígidos controles exercidos pelas autoridades chinesas sobre o comércio exterior. Cada porto possuía regras próprias, que frequentemente eram alteradas, além da cobrança de tarifas consideradas arbitrárias pelos europeus. O cenário era agravado por episódios de violência contra marinheiros estrangeiros e pela prisão recorrente de comerciantes.

Tianjin foi escolhida por sua localização estratégica às margens do rio Haihe e por suas conexões ferroviárias com Pequim, Shanhaiguan e a Manchúria. As primeiras concessões foram concedidas à França e ao Reino Unido em 1895, sendo posteriormente ocupadas também por outros países. Cada comunidade administrava seu próprio território, mantendo polícia, escolas, hospitais, igrejas, escritórios públicos e instalações militares.

A cidade tornou-se a maior comunidade europeia da Ásia, reunindo cerca de 38.940 estrangeiros. A Bélgica, por exemplo, implantou o sistema de bondes e forneceu eletricidade, tornando Tianjin a primeira cidade chinesa a contar com transporte público moderno.

Apesar das diferenças culturais e políticas, a convivência entre as comunidades foi relativamente pacífica durante a Primeira Guerra Mundial. No início da Segunda Guerra Mundial, a cidade poderia ter se transformado em palco de confrontos, já que diversas potências mantinham batalhões armados em suas concessões. No entanto, segundo o texto, não houve combates entre os estrangeiros instalados em Tianjin. Durante a expansão japonesa na Ásia, o Japão assumiu o controle das concessões, mas perdeu essas áreas após sua rendição aos Aliados, encerrando um dos mais singulares experimentos de convivência internacional em território chinês.


++ Saiba mais detalhes deste período histórico na coleção apresentada por Aventuras na História: “A Guerra de Todos”. Dividida em oito livros escritos pelo jornalista Edgardo Martolio, a coletânea ajuda a entender a magnitude do conflito e também conta tudo aquilo que ainda pouco conhecemos da Segunda Guerra Mundial.
O primeiro livro da coleção “A Guerra de Todos”, com o título “O Eixo: Agressores, Iludidos e Anexados” já está em pré-venda. Mais detalhes clicando aqui!