Afrescos etruscos de 2,3 mil anos são exibidos pela Itália em Roma
Afrescos de 2,3 mil anos adquiridos pelo governo italiano por valor milionário retratam batalhas e personagens da civilização etrusca em exposição permanente

Os afrescos etruscos mais bem preservados já conhecidos passaram a ser exibidos ao público em Roma após serem adquiridos pelo governo da Itália por 17 milhões de dólares. As obras, encontradas originalmente em uma câmara funerária, retratam cenas de batalhas e personagens da Antiguidade e agora integram a exposição do Museu Nacional Etrusco da Villa Giulia.
A mostra foi inaugurada poucas semanas depois de o governo italiano concluir a compra das pinturas, que pertenciam a colecionadores particulares. Segundo Luana Toniolo, diretora do Museu Villa Giulia, a incorporação das obras ao patrimônio público representa um passo importante para a preservação da história do país.
Este é o nosso patrimônio cultural”, afirmou Toniolo à Reuters. “É muito importante para as nossas raízes, para o nosso país… e tem que pertencer ao Estado.”
Produzidos entre 340 e 320 a.C., os afrescos estão entre os principais exemplares sobreviventes da arte etrusca. Os etruscos formaram uma das grandes civilizações da península Itálica entre os séculos 9 e 2 a.C., dividindo protagonismo no Mediterrâneo com gregos e fenícios. A influência desse povo começou a diminuir no século 1 a.C., quando foi conquistado e incorporado pelo crescente Império Romano.
As pinturas retratam episódios marcados por conflitos e disputas de poder. Em uma das cenas, soldados etruscos aparecem derrotando adversários romanos. Outra representa Aquiles matando guerreiros troianos. Há ainda um painel dedicado a Mastarna — outro nome atribuído a Sérvio Túlio, o sexto rei de Roma — libertando um nobre etrusco.
Para Toniolo, o conjunto vai além do valor artístico e oferece um importante registro histórico da cultura etrusca. “É um vasto livro de pedra e cor que nos conta sobre famílias, guerreiros, deuses e heróis — tanto etruscos quanto gregos — e reconta mitos gregos reinterpretados sob uma perspectiva etrusca”, declarou à Associated Press.
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Recuperando tesouros
A aquisição encerra uma tentativa de mais de um século do Estado italiano de incorporar os afrescos pertencentes à família Torlonia, descrita pela Associated Press como “uma das antigas famílias nobres da Itália, cuja vasta coleção de antiguidades permaneceu por muito tempo fora do domínio público”.
As obras foram descobertas em 1857 pelo arqueólogo francês Alessandro François, durante escavações em uma câmara funerária na antiga cidade de Vulci, situada em propriedades da família Torlonia. Os painéis decoravam o salão central do monumento, que ficou conhecido como Túmulo de François e também continha joias, vasos, peças de bronze e outros artefatos antigos, repercute a Smithsonian Magazine.
Ao longo dos anos, a família preservou os afrescos, enquanto parte dos demais objetos encontrados no túmulo foi doada ou vendida. Atualmente, muitos desses itens integram coleções de instituições europeias, entre elas o Louvre e o Museu Britânico. Para a nova exposição em Roma, esses museus emprestaram peças relacionadas ao contexto arqueológico do túmulo, reunindo novamente parte do conjunto histórico.
A compra dos afrescos faz parte de uma política recente do governo italiano voltada à recuperação de obras consideradas fundamentais para o patrimônio nacional. Entre as aquisições mais recentes também estão a pintura Ecce Homo, de Antonello da Messina, adquirida por 14,9 milhões de dólares, e o retrato de Maffeo Barberini — futuro papa Urbano VIII — pintado por Caravaggio, comprado por 35 milhões de dólares.