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Carruagem de bronze da cultura Tartesso com 2.500 anos é descoberta na Espanha

Veículo cerimonial ligado à cultura de Tartesso foi encontrado em excelente estado na Espanha e pode revelar detalhes sobre antigos rituais religiosos

Carruagem de bronze descoberta na Espanha / Crédito: Reprodução/@aytodeguarena/Instagram

Uma carruagem de bronze com cerca de 2,5 mil anos foi encontrada em excelente estado de conservação no sítio arqueológico de Casas del Turuñuelo, em Guareña, na Espanha. O achado, considerado único na Península Ibérica, foi anunciado na última semana durante uma coletiva de imprensa realizada na sede do Conselho Superior de Pesquisas Científicas, em Madri, e representa um dos principais resultados da oitava campanha de escavações no local.

As pesquisas ocorreram entre abril e maio e revelaram uma peça que, segundo Esther Rodríguez, codiretora das escavações, não possui equivalente conhecido na região. A carruagem corresponde à metade de um veículo cerimonial e preserva duas rodas, além de parte de sua estrutura principal.

Embora sejam conhecidos alguns paralelos parciais no contexto etrusco, nenhum apresenta as características decorativas e construtivas documentadas nesta peça”, informou a Prefeitura de Guareña, em publicação no Instagram.

De acordo com a administração municipal, a descoberta ocorreu no corredor identificado como “S3” do sítio arqueológico. O estado de preservação chamou a atenção dos pesquisadores, já que a acidez do solo da região normalmente dificulta a conservação de objetos metálicos desse tipo.

O achado também amplia o conhecimento sobre Tartesso, uma antiga cultura que floresceu no sudoeste da Península Ibérica durante o 1º milênio a.C. Segundo o site Greek Reporter, essa sociedade foi resultado da interação entre comunidades locais e colonizadores fenícios. Em campanhas anteriores realizadas no mesmo sítio, arqueólogos encontraram um altar em forma de pele de touro, objeto considerado simbólico tanto para culturas da Península Ibérica quanto do Mediterrâneo antigo.

Os pesquisadores acreditam que a carruagem desempenhava uma função ritualística. Entre as hipóteses levantadas, está a possibilidade de o veículo ter sido utilizado para transportar brasas, queimar incenso ou liberar resinas aromáticas durante cerimônias religiosas, repercute a Revista Galileu.

A ornamentação da peça reforça essa interpretação. As laterais preservam representações de dois grifos, criaturas mitológicas com corpo de leão e cabeça de águia frequentemente retratadas na Antiguidade. Na parte frontal aparece Aqueloo, o deus grego dos rios, tradicionalmente representado com chifres de touro. Já os elementos de sustentação exibem duas figuras masculinas vestidas de acordo com modelos artísticos inspirados no Egito.

Detalhes da carruagem de bronze descoberta na Espanha / Crédito: Reprodução/@aytodeguarena/Instagram

Mais detalhes da campanha

A campanha arqueológica deste ano concentrou os trabalhos nas áreas norte e sul do monte que cobre a estrutura do antigo edifício. Essa elevação possui aproximadamente 90 metros de diâmetro e cerca de seis metros de altura.

As escavações também avançaram ao redor da chamada grande sala “H-100”, um ambiente de aproximadamente 70 metros quadrados, onde foram identificados novos cômodos e áreas de circulação, permitindo ampliar a compreensão da planta do complexo.

Os estudos indicam que, no final do século 5 a.C., os habitantes do local promoveram a destruição deliberada do edifício. Antes de abandoná-lo, eles incendiaram a construção, soterraram sua estrutura e a cobriram com argila. Embora os motivos dessa ação permaneçam desconhecidos, o procedimento acabou funcionando como um mecanismo de preservação.

Ao selar o edifício, seus ocupantes conservaram objetos e estruturas que permaneceram ocultos por mais de dois milênios. Hoje, os arqueólogos desvendam esse antigo cenário gradualmente, camada por camada, enquanto novas descobertas ajudam a reconstruir aspectos da cultura tartéssica e de suas práticas cerimoniais.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.