Áustria: o país que estendeu o tapete vermelho para Hitler
Anexação da Áustria em 1938 contou com amplo apoio popular e integrou o país ao Terceiro Reich até o fim da guerra

Quando a Alemanha nazista anexou a Áustria em março de 1938, não encontrou resistência militar nem oposição popular significativa. Pelo contrário. As tropas de Adolf Hitler cruzaram a fronteira sob aplausos de multidões que celebravam a incorporação do país ao Terceiro Reich. O episódio, conhecido como Anschluss, tornou-se um dos exemplos mais claros da expansão territorial nazista realizada sem a necessidade de combate armado.
A recepção dada aos alemães impressionou à época. Em cidades austríacas, especialmente em Viena, milhares de pessoas foram às ruas para saudar Hitler, que havia nascido na própria Áustria. O entusiasmo popular foi tão grande que as imagens registradas durante a chegada das tropas nazistas rivalizaram com as gigantescas manifestações promovidas pelo regime em cidades alemãs como Berlim e Nuremberg.
Embora o Anschluss tenha sido formalizado apenas em março de 1938, a aproximação entre os dois países vinha sendo construída há anos. Grupos nacionalistas e simpatizantes do nazismo já exerciam forte influência na política austríaca, defendendo a união com a Alemanha e a criação de uma grande nação germânica.
Uma das principais vozes contrárias à anexação foi o chanceler austríaco Kurt Schuschnigg. Nomeado após o assassinato de seu antecessor, Engelbert Dollfuss, durante uma tentativa de golpe promovida por nazistas austríacos, Schuschnigg buscou preservar a independência do país. Contudo, enfrentava uma situação cada vez mais difícil diante das pressões exercidas por Hitler e da crescente popularidade dos movimentos pró-nazistas.
Sob intensa pressão política, Schuschnigg renunciou ao cargo poucos dias antes da entrada das tropas alemãs. Em seu lugar assumiu Arthur Seyss-Inquart, figura alinhada ao regime nazista que posteriormente ocuparia cargos importantes nos territórios conquistados pela Alemanha durante a guerra.
Pouco depois da anexação, um referendo foi realizado para legitimar a incorporação da Áustria ao Reich. Os resultados oficiais apontaram aprovação superior a 99% dos votos. Historiadores, entretanto, destacam que a consulta ocorreu em um ambiente marcado por intimidação, propaganda intensa e ausência de liberdade para opositores.
A Áustria anexada
Com a anexação consolidada, a Áustria deixou de existir como Estado soberano e passou a integrar oficialmente a estrutura administrativa da Alemanha nazista. A partir daquele momento, seus recursos econômicos, industriais e humanos foram incorporados ao esforço de guerra alemão.
Durante a Segunda Guerra Mundial, fábricas austríacas produziram armamentos, equipamentos militares e materiais estratégicos para o regime de Hitler. Além disso, centenas de milhares de austríacos foram incorporados às forças armadas alemãs. Estimativas indicam que cerca de 1,4 milhão de soldados e policiais austríacos serviram sob a bandeira nazista ao longo do conflito.
As tropas oriundas da Áustria participaram de algumas das principais campanhas militares da guerra, incluindo a invasão da Polônia em 1939, a ofensiva contra a França em 1940 e a Operação Barbarossa, que levou o exército alemão ao território da União Soviética em 1941.
O país também desempenhou papel importante na perseguição aos grupos considerados indesejáveis pelo regime. A comunidade judaica austríaca foi uma das mais afetadas pela política antissemita implementada pelos nazistas. Após a anexação, milhares de judeus perderam propriedades, empresas e direitos civis. Sinagogas foram destruídas, instituições comunitárias fechadas e famílias inteiras deportadas para campos de concentração e extermínio.
Entre os mais conhecidos estavam os campos de Mauthausen e Gusen, localizados em território austríaco. Nessas instalações, dezenas de milhares de prisioneiros morreram em decorrência de execuções, trabalhos forçados, doenças e maus-tratos. Os campos tornaram-se símbolos da brutalidade do sistema concentracionário nazista.
A queda ao fim da guerra
Com a derrota da Alemanha em 1945, a Áustria foi ocupada pelas potências aliadas. Assim como ocorreu na Alemanha, iniciou-se um processo de desnazificação destinado a remover a influência do antigo regime das instituições públicas.
O país permaneceu sob administração compartilhada dos vencedores da guerra durante uma década. Viena, sua capital, foi dividida em setores controlados por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França. Somente em 1955, com a assinatura do Tratado do Estado Austríaco, a nação recuperou plenamente sua soberania e voltou a existir como um Estado independente.
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