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Capela onde Machado de Assis se casou tem futuro incerto

Capela onde Machado se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais em 1869 está localizada no Rio de Janeiro

Machado de Assis
Machado de Assis - Domínio Público via Wikimedia Commons

A capela onde se casou o escritor Machado de Assis, um dos maiores nomes da literatura brasileira, está com futuro incerto. A estrutura que, em 1869, foi palco da cerimônia que selou o laço entre o autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e Carolina Augusta Xavier de Novais fica no Rio de Janeiro, especificamente em um terreno na Rua Cosme Velho, número 218.

Nos últimos dias, a área voltou ao centro das atenções depois que visitas técnicas despertaram preocupação entre moradores e defensores do patrimônio histórico, como aponta o Blog do Ancelmo Gois, do portal Globo. Segundo a fonte, residentes da região contaram que representantes de uma incorporadora estiveram no local na última segunda-feira a fim de avaliar as condições do terreno e que, entre os aspectos analisados, estariam a viabilidade de novas fundações, as características do solo e a eventual necessidade de remoção de árvores existentes na propriedade.

A movimentação reacendeu temores antigos sobre o destino do espaço, que envolviam a possibilidade de receber um empreendimento imobiliário considerado incompatível com as características urbanísticas e históricas do entorno. Além da capela, o terreno abriga uma extensa vegetação, incluindo palmeiras imperiais.

Diante das preocupações, foram encaminhados ofícios ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), solicitando atenção ao caso e medidas que garantam a preservação do conjunto histórico.

Na Assembleia Legislativa

A discussão também chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, onde a deputada Dani Balbi (PCdoB) apresentou um projeto de lei que institui a Política Estadual de Preservação do Patrimônio Histórico Literário do Rio de Janeiro. A proposta prevê a criação de um cadastro oficial de imóveis, acervos e espaços relacionados à trajetória de escritores fluminenses, além de estabelecer mecanismos para impedir descaracterizações ou demolições sem a devida análise dos órgãos responsáveis pela proteção patrimonial.

A memória literária do Rio não pode depender da boa vontade do mercado imobiliário ou de disputas pontuais. Precisamos de uma política permanente para proteger espaços que contam a história do nosso estado”, disse a parlamentar.

Conforme destacou o blog, a capela ganhou maior visibilidade depois que denúncias envolvendo um possível projeto imobiliário para a área vieram à tona. Entre as principais preocupações que envolvem a capela estão sua preservação e a manutenção da vegetação existente.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.