Ebola é detectado na França em primeiro caso fora da África no atual surto
Médico que retornou da República Democrática do Congo testou positivo para ebola; caso é o primeiro registrado fora da África nesta epidemia

As autoridades de saúde da França confirmaram nesta quarta-feira, 24, o primeiro caso de ebola registrado no país durante o atual surto da doença. O paciente é um médico que retornou recentemente da República Democrática do Congo (RDC), país que concentra a maior parte dos casos da epidemia em andamento.
Em comunicado oficial, o Ministério da Saúde francês informou que identificou um caso positivo de doença causada pelo vírus ebola em território nacional. Questionada pela agência AFP, a pasta esclareceu que o diagnóstico foi realizado na França continental.
A confirmação marca um momento significativo no acompanhamento da epidemia, já que este é o primeiro caso registrado fora do continente africano no atual surto da doença.
Médico havia retornado da República Democrática do Congo
De acordo com as autoridades francesas, o paciente diagnosticado é um médico que esteve recentemente na República Democrática do Congo, país que enfrenta uma grande epidemia de ebola.
A doença é causada por um vírus que provoca febre hemorrágica e pode apresentar elevada taxa de mortalidade. O atual surto também afeta Uganda e tem chamado a atenção de organizações internacionais de saúde devido ao avanço dos casos registrados nos últimos meses.
Segundo a reportagem, a epidemia está associada a uma cepa menos frequente do vírus, conhecida como Bundibugyo. Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico direcionado contra essa variante.
Especialistas avaliam baixo risco de propagação global
Apesar da confirmação do caso na Europa, especialistas em saúde pública acreditam que o risco de disseminação internacional continua baixo.
De acordo com os especialistas citados pela reportagem, o vírus ebola não costuma apresentar alta capacidade de transmissão em comparação com outras doenças infecciosas, o que reduz a possibilidade de uma propagação ampla em escala global.
Ainda assim, autoridades sanitárias continuam monitorando atentamente a situação devido ao avanço da epidemia na África Central.
Epidemia já provocou centenas de casos no Congo
A República Democrática do Congo permanece como o principal foco da atual crise sanitária.
Na semana passada, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) confirmou as primeiras mortes relacionadas ao ebola no campo de deslocados de Kpangba, que abriga aproximadamente 30 mil pessoas.
Também foram registradas suspeitas de infecção no campo de Kigonze, onde vivem cerca de 15 mil deslocados.
Segundo a reportagem, o vírus já alcançou três províncias congolesas desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional em 17 de maio.
Até a última terça-feira, haviam sido contabilizados mais de 800 casos e quase 200 mortes relacionadas à doença no país.
Condições nos campos preocupam organizações humanitárias
Organizações humanitárias alertam que a situação nos campos de deslocados tornou-se mais delicada após cortes em programas voltados para água, saneamento e higiene.
De acordo com dados das Nações Unidas citados pela reportagem, os recursos destinados a instalações sanitárias e pontos de lavagem das mãos na República Democrática do Congo caíram mais da metade entre 2024 e 2025, alcançando cerca de US$ 38 milhões.
Neste ano, apenas 21% do orçamento humanitário estimado em US$ 80 milhões recebeu financiamento.
Para entidades que atuam na região, a redução dos investimentos em infraestrutura básica pode aumentar a vulnerabilidade das populações que vivem em áreas já afetadas pela epidemia, tornando o controle da doença ainda mais desafiador.
*Sob supervisão de Éric Moreira