Notícias / Brasil

Pernambucana completa 115 anos e é a sexta pessoa mais velha do mundo

Neste domingo, 21 de junho, a pernambucana Beatriz Ferreira Duarte comemorou seu aniversário de 115 anos; ela é a segunda pessoa mais velha do Brasil e a sexta do mundo

Beatriz Ferreira Duarte / Crédito: Reprodução/TV Globo

A pernambucana Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos de idade no último domingo, dia 21 de junho, consolidando-se como a segunda pessoa viva mais velha do Brasil e a sexta de todo o mundo. O aniversário foi celebrado com uma recepção para cerca de 80 convidados em um salão de festas localizado em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, município onde a idosa reside atualmente com uma de suas filhas.

O status de supercentenária de Beatriz é reconhecido internacionalmente pela LongeviQuest, uma entidade de alcance global que se dedica a validar os registros de indivíduos que ultrapassam a marca dos 110 anos. A comprovação documental da idade da idosa foi oficialmente homologada pela instituição em 12 de setembro de 2023, após os pesquisadores identificarem uma fotografia publicada em ambiente virtual quando ela completava 112 anos.

Segundo os dados consolidados pela organização, apenas uma brasileira viva é mais idosa que a pernambucana: a alagoana Yolanda Beltrão de Azevedo, que também tem 115 anos, mas nasceu em 13 de janeiro de 1911. No cenário global, Beatriz é antecedida por somente mais cinco pessoas: Ethel Caterham (116 anos, do Reino Unido), Naomi Whitehead (115 anos, dos Estados Unidos), Lucia Laura Sangenito (115 anos, da Itália), além da própria Yolanda e da japonesa Shigeko Kagawa (115 anos).

Beatriz Ferreira Duarte

Nascida na cidade de Moreno, também no Grande Recife, em 21 de junho de 1911, Beatriz passou a maior parte da vida dedicada aos cuidados dos familiares. Ela foi casada com Amaro Cipriano Duarte, falecido há 36 anos. Do total de oito filhos gerados pelo casal, três estão vivos. A descendência atual da supercentenária é composta ainda por sete netos, 12 bisnetos e dois tataranetos — incluindo um que se encontra em período de gestação.

Do ponto de vista médico, os parentes relatam que a idosa desfruta de um quadro clínico altamente favorável, não faz uso de medicações regulares e apresenta taxas biológicas saudáveis. O acompanhamento cotidiano, contudo, tornou-se obrigatório para tarefas de locomoção — que demanda o uso de cadeira de rodas — e para a alimentação. Além disso, Beatriz não desfruta mais de plena lucidez.

“Para a gente, é uma alegria imensa, é uma satisfação. A gente tem o privilégio de conviver com ela e aprendeu muito ao longo dessa caminhada, tanto os filhos como os netos e bisnetos. Hoje, de saúde, ela está muito bem. Ela não toma nenhuma medicação, é muito saudável, todas as taxas são boas. Agora, ela não está mais lúcida hoje. Ela esteve até os 106 anos”, disse a bisneta de Beatriz, Yslla Duarte, em entrevista ao g1.

De acordo com Yslla, a família tem por hábito promover celebrações discretas anualmente na própria residência da idosa, mas opta por estruturas maiores em efemérides marcantes. Os convidados da celebração de 115 anos presentearam a aniversariante com fraldas geriátricas.

“Nós fizemos a festa de 100 anos, depois comemoramos os 105, sempre com uma festa maior, chamando mais gente. Todo ano, a gente comemora, mas de uma forma mais simples, na casa dela mesmo. Este ano é uma data muito marcante, então preferimos chamar familiares e pessoas mais próximas. Foram cerca de 80 convidados. Alugamos um salão de festas para fazer a comemoração. Tudo muito simples, mas marcante. É uma data histórica”, afirmou.

A bisneta pontua que a idosa preservou traços marcantes de sua personalidade, caracterizada por ser alguém calma, destemida e sem tendências a estresses cotidianos. Entre as recordações de vitalidade que marcaram a memória dos descendentes, Yslla destaca a precisão motora mantida por Beatriz em idade avançada.

“Tem algumas cenas pra mim que são memoráveis. Ela já bem idosa, por exemplo, isso é sobre saúde, sobre vitalidade, sobre coordenação motora. Ela derramava o café no pires, não era na xícara não, ela derramava no pires e levantava o café quente até a boca e se equilibrava. Isso a gente tá falando dela bem idosa mesmo. É uma cena que é emblemática para toda a família”, relembrou.

Yslla também ressaltou a forma tranquila com que a bisavó lidava com a finitude da vida e com a perda de pessoas próximas, atitude frequentemente traduzida em máximas que costumava proferir no núcleo familiar.

“Outras coisas que ela dizia também, quando uma pessoa falecia, alguém próximo, às vezes a irmã dela mesma, ela dizia é assim mesmo, ninguém fica para semente. Quem tem que morrer esse ano não morre para o ano”, contou.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.