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Raro sarcófago romano é achado selado após 1.500 anos na Croácia

Arqueólogos em Cavtat descobriram tumba intacta de cinco toneladas do período romano tardio durante escavações de emergência em sítio arqueológico local

Sarcófago romano datado entre os séculos IV e VI d.C. foi descoberto em estado excepcional de conservação, sem sinais de saque ou movimentação - Foto: Muzeji i galerije Konavala

Em 18 de junho de 2026, arqueólogos na cidade de Cavtat, na Croácia, revelaram um sarcófago do período romano tardio que permaneceu selado por mais de 1.500 anos. A peça monumental foi encontrada a três metros de profundidade no sítio da Rua Zorina, no centro da antiga colônia de Epidauro

A descoberta é considerada excepcional pela comunidade científica por não apresentar sinais de saques, movimentação ou danos urbanos ao longo dos séculos.

Oficinas de Salona

Conforme informações dos Museus e Galerias de Konavle (Muzeji i galerije Konavala) e a revista Archaeology News, o monumento de cinco toneladas pertence ao tipo Salona, estilo ligado às oficinas da capital da província romana da Dalmácia. Especialistas datam a estrutura entre os séculos 4 e 6 d.C., fase de transformações culturais no mundo antigo.

A região de Epidauro, que cresceu como um forte centro econômico e portuário sob o comando do imperador Augusto, possuía infraestrutura avançada, incluindo um aqueduto de 24 quilômetros que abastecia a cidade.

Mistérios sob cal

A preservação é o ponto mais relevante do achado, pois até a argamassa de cal original usada para lacrar a tampa milenar sobreviveu intacta. Helena Puhara, arqueóloga chefe da equipe, explicou que encontrar exemplos preservados em sua posição original é algo “extremamente raro” na Croácia. 

Dentro da tumba, os pesquisadores localizaram os restos mortais de um único indivíduo e depósitos orgânicos que passarão por testes de laboratório para desvendar os costumes funerários praticados na costa da Dalmácia.

Legado em exposição

A complexa operação de resgate envolveu antropólogos, restauradores, fotógrafos e topógrafos para garantir que o monumento não sofresse danos durante o içamento. “O conteúdo oferece um nível incomum de contexto arqueológico”, destacam os pesquisadores no relatório oficial da escavação. 

Após a coleta de amostras, o sarcófago foi transferido para uma área pública próxima ao Mausoléu da Família Račić e ao Cemitério de São Roque, permitindo que moradores e visitantes conheçam de perto esse elo com o passado de Epidauro.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.