Vestígios de micróbios humanos de 4.500 anos são encontrados em antigos lixões na Groenlândia
Vestígios de microrganismos ligados a humanos que viveram há milhares de anos na Groenlândia foram revelados em novo estudo

Cientistas estão sendo capazes de reconstruir como foi a vida na Groenlândia há milhares de anos graças à análise de resíduos congelados espalhados pela região. Muitos dos microrganismos ligados à atividade humana no passado ainda sobrevivem como vestígios de DNA nesses depósitos, conhecidos como lixões, e alguns datam de mais de 4.500 anos. Como explica o portal Archaeology News, essas formações contêm desde ossos e conchas de animais até restos de comida ou mesmo resíduos humanos.
Conforme destaca a fonte, a história da Groenlândia é marcada por uma série de ondas de assentamento, dos grupos paleo-inuítes que chegaram por volta do ano de 2.500 a.C. aos colonos nórdicos que chagariam por lá no final do século 10. Estes últimos estabeleceram comunidades agrícolas que criavam gado, ovelhas e cabras. Além disso, séculos mais tarde, viriam os dinamarqueses. Desses assentamentos, restaram pilhas e mais pilhas de lixo, hoje analisadas por especialistas.
A ideia do estudo
A ideia dos pesquisadores era descobrir se esses depósitos ainda continham vestígios de microrganismos das pessoas e animais que viveram na região. Além disso, eles queriam saber se, à medida que o gelo derrete, antigos patógenos nocivos poderiam ser liberados no ambiente.
Para tal, coletaram, entre os anos de 2020 e 2021, um total de 78 amostras de sete depósitos localizados no oeste e no sul do território. Estas foram posteriormente comparadas com outras 143 amostras de solo coletadas em regiões sem evidências de ocupação humana. Por meio do sequenciamento de DNA, foi possível reconstruir as comunidades bacterianas preservadas nos depósitos. Foram identificadas 1.207 espécies, muitas das quais eram desconhecidas até então.
O estudo destacou que os depósitos de lixo paleo-inuítes mais antigos se assemelhavam mais a solos naturais, sugerindo que os vestígios biológicos desaparecem com o passar de longos períodos. Várias bactérias comumente associadas a intestinos humanos e animais foram identificadas por todo o planeta, incluindo a Clostridium perfringens, uma das principais causas de intoxicação alimentar, e a Paeniclostridium sordellii, ligada a infecções graves.
A fonte ressaltou que o conteúdo de cada lixão determinou quais microrganismos estavam presentes no local, sendo que depósitos contendo peles de foca sustentavam comunidades bacterianas bem diferentes daquelas com carcaças ou ossos de animais. Já os montes nórdicos associados à agricultura carregavam vestígios microbianos ligadas a animais domésticos e atividades agrícolas.
Genes de resistência
Vale destacar também que os cientistas descobriram uma grande variedade de genes de resistência a antimicrobianos, o quais fariam parte de 17 classes diferentes, sendo a resistência a beta-lactâmicos e tetraciclinas a mais frequente. Ocorrências do tipo foram detectadas tanto em camadas de solo antigas quanto modernas, o que indica que tais características existem em ambientes árticos há séculos.
Os pesquisadores enfatizam que o estudo não detectou bactérias antigas vivas, apenas seu DNA preservado. Além disso, não foram encontradas evidências de patógenos altamente perigosos, e os depósitos, atualmente em descongelamento, representam baixo risco para a saúde pública.