Arqueólogos do Museu de História de Budapeste anunciaram a abertura de um sarcófago romano de 1.700 anos encontrado em Óbuda, região ao norte da capital húngara. A estrutura de calcário, descoberta durante escavações em um antigo bairro residencial romano, chamou atenção por estar completamente lacrada, ainda presa por grampos metálicos e chumbo derretido. Esse tipo de preservação é extremamente incomum e indica que a tumba jamais havia sido violada por saqueadores ou reutilizada, como era frequente no período tardio do Império Romano.
Ao removerem a tampa, os arqueólogos se depararam com o esqueleto intacto de uma jovem mulher. Embora as análises antropológicas ainda estejam em andamento, os especialistas estimam que ela pertencia a uma família de status elevado, dado o conjunto impressionante de objetos depositados ao seu redor.
Sarcófago romano
Dentro do sarcófago, foram catalogados mais de 140 moedas, duas peças de vidro preservadas, figuras de bronze, joias de âmbar, um pente esculpido em osso e fragmentos de tecido adornados com fios de ouro. A riqueza e a variedade dos artefatos reforçam a hipótese de que se tratava de alguém de alta posição social em Aquincum, importante centro urbano romano da província da Panônia.
O sepultamento foi encontrado em meio às ruínas de casas romanas abandonadas, próximo a outras tumbas mais simples e ao traçado remanescente de um antigo aqueduto. No interior da estrutura havia ainda uma camada de lodo de aproximadamente quatro centímetros, que foi removida cuidadosamente. Pesquisadores acreditam que esse material possa esconder joias ou pequenos objetos ainda não identificados, como brincos ou pingentes, o que torna o processo de limpeza uma etapa crucial da investigação.
A arqueóloga responsável pela escavação destacou que o cuidado demonstrado no sepultamento — desde o lacre em chumbo até a disposição dos objetos — revela não apenas a posição social da jovem, mas também o afeto e o respeito daqueles que a enterraram. O grau de preservação permitirá análises aprofundadas sobre sua idade, saúde, possíveis doenças e até sua origem geográfica.
Descobertas como essa são raras, especialmente porque sarcófagos romanos intactos quase nunca chegam aos tempos modernos. A prática comum de reutilizar túmulos ao longo dos séculos faz com que achados como este ofereçam uma oportunidade única para entender costumes funerários, práticas religiosas e aspectos cotidianos da vida no Império Romano tardio.