Pesquisadores descobriram nos arredores de Roma um sítio arqueológico com vestígios que revelam um comportamento surpreendentemente sofisticado de humanos primitivos, ancestrais dos neandertais. As escavações em Casal Lumbroso encontraram ossos e presas de elefantes datados de cerca de 400 mil anos, com marcas de corte e fraturas intencionais feitas para extrair a medula ou produzir ferramentas.
Os indícios sugerem que grupos anteriores aos neandertais, que habitavam a região nesse período, desenvolveram estratégias de sobrevivência adaptadas à escassez de materiais como o sílex. Em vez de depender apenas de rochas para fabricar instrumentos, eles passaram a usar ossos de grandes animais como substituto — um comportamento considerado avançado para o período.
As análises indicam que o elefante provavelmente morreu após uma erupção vulcânica, que deixou uma camada de cinzas datada em cerca de 404 mil anos. Pouco tempo depois, humanos pré-históricos teriam aproveitado a carcaça, o que explicaria as marcas de impacto e fragmentação nos ossos. Além dos restos do animal, foram encontradas ferramentas de pedra com bordas afiadas e sinais de uso em cortes de carne e ossos.
Hábitos neandertais
Essa descoberta reforça a ideia de que as populações humanas da época possuíam flexibilidade cognitiva e capacidade de adaptação ao ambiente. Em vez de simplesmente caçar, elas exploravam recursos disponíveis no entorno, inclusive cadáveres de animais mortos por causas naturais.
Os arqueólogos afirmam que o sítio de Casal Lumbroso é uma das evidências mais antigas do uso sistemático de ossos como ferramentas na Europa. O achado ajuda a reconstruir o modo de vida desses grupos semi-nômades e oferece novas pistas sobre a transição evolutiva entre os primeiros Homo heidelbergensis e os neandertais.
O estudo, publicado por pesquisadores italianos e franceses, lança nova luz sobre a complexidade social e técnica de nossos ancestrais remotos.