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Esqueleto achado em Roma revela peculiaridades dos neandertais

Sítio arqueológico de 400 mil anos mostra que ancestrais dos neandertais usavam ossos de elefante como ferramentas e fonte de alimento

Fóssil de elefante encontrado em Casal Lumbroso - Mecozzi et al., 2025, PLOS One, CC BY

Pesquisadores descobriram nos arredores de Roma um sítio arqueológico com vestígios que revelam um comportamento surpreendentemente sofisticado de humanos primitivos, ancestrais dos neandertais. As escavações em Casal Lumbroso encontraram ossos e presas de elefantes datados de cerca de 400 mil anos, com marcas de corte e fraturas intencionais feitas para extrair a medula ou produzir ferramentas.

Os indícios sugerem que grupos anteriores aos neandertais, que habitavam a região nesse período, desenvolveram estratégias de sobrevivência adaptadas à escassez de materiais como o sílex. Em vez de depender apenas de rochas para fabricar instrumentos, eles passaram a usar ossos de grandes animais como substituto — um comportamento considerado avançado para o período.

As análises indicam que o elefante provavelmente morreu após uma erupção vulcânica, que deixou uma camada de cinzas datada em cerca de 404 mil anos. Pouco tempo depois, humanos pré-históricos teriam aproveitado a carcaça, o que explicaria as marcas de impacto e fragmentação nos ossos. Além dos restos do animal, foram encontradas ferramentas de pedra com bordas afiadas e sinais de uso em cortes de carne e ossos.

Hábitos neandertais

Essa descoberta reforça a ideia de que as populações humanas da época possuíam flexibilidade cognitiva e capacidade de adaptação ao ambiente. Em vez de simplesmente caçar, elas exploravam recursos disponíveis no entorno, inclusive cadáveres de animais mortos por causas naturais.

Os arqueólogos afirmam que o sítio de Casal Lumbroso é uma das evidências mais antigas do uso sistemático de ossos como ferramentas na Europa. O achado ajuda a reconstruir o modo de vida desses grupos semi-nômades e oferece novas pistas sobre a transição evolutiva entre os primeiros Homo heidelbergensis e os neandertais.

O estudo, publicado por pesquisadores italianos e franceses, lança nova luz sobre a complexidade social e técnica de nossos ancestrais remotos.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.