Arqueólogos encontram vestígios de batalha histórica após 251 anos nos EUA
Escavações em Boston revelaram armas, balas de mosquete e objetos ligados à Batalha de Bunker Hill, confronto decisivo da independência dos EUA

Mais de dois séculos após um dos confrontos decisivos da Guerra da Independência dos Estados Unidos, arqueólogos estão trazendo à tona novos vestígios da Batalha de Bunker Hill. Escavações realizadas no bairro de Charlestown, em Boston, revelaram artefatos que podem ter sido utilizados durante o combate travado em 17 de junho de 1775 entre forças britânicas e milícias coloniais americanas.
A batalha é considerada um marco do conflito que levaria à independência do país. Embora os britânicos tenham conquistado a região de Charlestown, a vitória teve um alto custo: mais de mil soldados ficaram fora de combate, número quase duas vezes superior ao registrado entre os patriotas americanos. O resultado demonstrou que a revolta colonial seria muito mais difícil de conter do que as autoridades britânicas imaginavam.
Agora, 251 anos depois, uma equipe liderada por Joe Bagley, arqueólogo da cidade de Boston, está investigando áreas próximas ao Monumento de Bunker Hill em busca de evidências materiais daquele episódio histórico. Entre os objetos encontrados estão peças de armas e balas de mosquete que, segundo os pesquisadores, parecem ter sido disparadas durante o confronto sem atingir nenhum alvo.
“É uma loucura. Isso não via a luz do dia há 250 anos”, disse Bagley ao Boston Globe, enquanto segurava um dos artefatos descobertos durante as escavações. “E presenciou o inferno. A pessoa que tinha isso consigo estava vivendo um verdadeiro pesadelo.”
Descobertas
Além dos armamentos, os arqueólogos encontraram diversos objetos ligados ao cotidiano da época, como xícaras de chá, cachimbos, botões de manga e um modelador de perucas. A equipe acredita que esses itens tenham sido deixados por soldados britânicos que permaneceram na área após a batalha.
Embora ainda não tenham sido localizados restos humanos, um arqueólogo forense acompanha os trabalhos para atuar caso vestígios desse tipo sejam encontrados. Durante os combates, cerca de 115 americanos e 226 britânicos perderam a vida.
“Muitos homens de ambos os lados lutaram e morreram aqui”, disse Joel Bohy, especialista em armas e objetos militares históricos que trabalha no projeto, à Fox News. “Então, por mais que nos empolguemos com essas descobertas, precisamos nos lembrar também do lado humano disso.”
As escavações estão concentradas em uma área gramada que circunda o monumento de 67 metros de altura localizado no Parque Histórico Nacional de Boston. Para localizar os artefatos, os pesquisadores removem cuidadosamente camadas de solo de aproximadamente dez centímetros de espessura e passam o material por peneiras, em busca de objetos escondidos há séculos.
Um dos resultados mais significativos do trabalho foi a identificação do formato do reduto construído às pressas pelos patriotas antes da batalha. Os estudiosos acreditam ter encontrado a estrutura defensiva erguida por mais de mil homens que trabalharam durante toda a noite cavando trincheiras e levantando barreiras de terra para se preparar para o ataque britânico.
A existência do reduto já era conhecida por meio de um mapa produzido pouco depois da batalha. No entanto, as escavações permitiram confirmar que a construção tinha formato quadrado. “Tudo nessa vala data de 1775”, disse Bagley à AP. “É muito impactante porque essas estruturas foram colocadas no meio da batalha.”
Os materiais recuperados serão encaminhados ao laboratório de arqueologia da cidade para análise e conservação. Posteriormente, ficarão sob responsabilidade do Serviço Nacional de Parques, que administra o local histórico, segundo a Smithsonian Magazine.
“Temos todos esses documentos históricos, mas esta é a prova, esta é a âncora”, disse Meg Wilkes, consultora de arqueologia do Parque Histórico Nacional de Boston, ao Boston Globe. “Tudo o que encontramos conta uma história.”
Vale destacar que as escavações fazem parte do programa Boston 250 Archaeology, criado para marcar os 250 anos dos Estados Unidos. O projeto vem realizando pesquisas em diferentes pontos de Charlestown, incluindo áreas próximas à Christ Church Charlestown e propriedades particulares.
Além de investigar os eventos militares de 1775, os pesquisadores buscam compreender melhor a vida cotidiana dos moradores da região na época da Revolução Americana. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre grupos frequentemente menos documentados, como mulheres, crianças e comunidades negras e indígenas que viviam em Charlestown.
“Esta não é apenas a história da batalha. É também a história de Boston”, disse Bagley à CBS Boston. “Estamos muito animados para ver tantos fragmentos da história, conectando todas essas histórias além do campo de batalha, o que é incrivelmente importante.”