Copa de 1950: a final histórica que levou 200 mil pessoas ao Maracanã
Em 16 de julho de 1950, o Uruguai surpreendeu ao vencer a seleção brasileira, cuja vitória era considerada certa; o episódio ficaria conhecido como Maracanaço

A Copa do Mundo de 1950 foi um grande marco — e os brasileiros que viveram a época certamente jamais se esqueceram dela. Realizado por aqui, o evento foi o primeiro desde 1938 (as copas de 1942 e 1946 não foram realizadas em razão da Segunda Guerra Mundial). Na época, vários países estavam devastados e, por esse motivo, alguns deles não puderam participar do torneio. Era impossível para Hungria, Tchecoslováquia e Polônia participar da competição, enquanto que a Alemanha havia sido proibida pela Fifa de jogar. Não parou por aí: os países filiados eram 72 ao todo, mas apenas 32 foram inscritos nas eliminatórias.
O Brasil, como anfitrião, estava automaticamente dentro. A Itália, como último campeão, também. Por outro lado, Áustria, Bélgica, Birmânia, Filipinas, assim como nossos vizinhos Peru, Colômbia, Argentina e Equador desistiram durante as eliminatórias. 16 países estavam classificados. No entanto Escócia, Índia e Turquia acabaram abrindo mão das vagas. França, Irlanda e Portugal, foram chamados para substituí-los, mas recusaram. No fim, o Mundial ficou com apenas 13 seleções. Entre elas estava a da Inglaterra, país que criou o futebol e que, finalmente, se encontrava em sua estreia em Mundiais.
Destaques de 1950
Como aponta uma matéria do portal GE, a Copa do Mundo de 1950 teve diversos protagonistas. Caso o Brasil tivesse levantado a taça, é provável que a disputa pelo posto de maior destaque da competição ficasse entre Zizinho, Ademir Menezes e Jair Rosa Pinto. Mas a história tomou outro rumo e consagrou o Uruguai. Entre os campeões, três nomes se sobressaíram. O capitão Obdulio Varela foi a grande liderança da equipe, especialmente na partida decisiva. Já Juan Schiaffino comandava o meio-campo e ditava o ritmo do time. No entanto, foi ao atacante Alcides Ghiggia que o destino reservou o papel de grande herói. Afinal ele marcou gols em todas as partidas disputadas pelo Uruguai. Inclusive, foi ele o responsável pelo gol que silenciou o Maracanã e garantiu o título uruguaio.
Outro destaque foi para o próprio estádio. Anos antes a CBD havia deixado a Fifa encantada com a ideia da construção de uma estrutura capaz de comportar 155 mil pessoas. Tratava-se do maior estádio do mundo àquela altura. A inauguração oficial do Maracanã, se deu oito dias antes do começo da Copa, no dia 16 de junho de 1950. Esse mesmo estádio seria palco da grande final um mês mais tarde.

A vitória era certa
Talvez a seleção brasileira de 1950 tenha sido a mais favorita da história do país a conquistar uma Copa do Mundo. Sob o comando de Flávio Costa, o Brasil reunia um elenco repleto de craques e praticava um futebol que encantava.
A campanha brasileira começou com uma vitória por 4 a 0 sobre o México. Em seguida, a equipe empatou em 2 a 2 com a Suíça e derrotou a Iugoslávia por 2 a 0, avançando para a fase final. No quadrangular decisivo, o Brasil confirmou seu favoritismo com duas atuações memoráveis: goleou a Suécia por 7 a 1 e atropelou a Espanha por 6 a 1. Era o auge da confiança e, enquanto a equipe dava um verdadeiro espetáculo em campo, a torcida cantava eufórica “Touradas em Madri”, certa de que o título mundial já estava garantido.
A vitória do Brasil parecia tão certa que, na véspera da disputa, podia ser visto nas bancas do Rio de Janeiro o jornal “A Noite” com a seguinte manchete: “Estes são os campeões do mundo.” Abaixo, seguia uma foto da seleção brasileira.
2oo mil no Maracanã
Na partida decisiva, disputada no Maracanã, o Brasil jogava pelo empate, já que isso bastava para garantir a vitória. Naquele dia, mais de 200 mil pessoas lotaram o estádio em uma grande celebração antecipada. Aos jogadores do Uruguai só restava uma escolha: vencer.
Tudo parecia correr bem para os brasileiros. Logo no início do segundo tempo, Friaça abriu o placar. Mas o Uruguai, liderado pelo capitão Obdulio Varela, recusou-se a aceitar esse destino: aos 21 minutos, Schiaffino empatou a partida e, treze minutos depois, Ghiggia avançou pela direita e marcou o gol da virada. Nascia ali o famoso Maracanaço, um dos mais impressionantes episódios da história do futebol.
Igualmente surpreendente foi a própria trajetória da equipe uruguaia no torneio. Na primeira fase, o time caiu no Grupo 4, que contava apenas com a Bolívia. A equipe venceu por expressivos 8 a 0 no Estádio Independência, em Belo Horizonte, garantindo a classificação. No quadrangular final, empatou em 2 a 2 com a Espanha e derrotou a Suécia por 3 a 2, de virada. Assim, chegou à última rodada precisando vencer o Brasil para conquistar o bicampeonato mundial. E venceu, contra todas as previsões.