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Pesquisa registra três espécies inéditas de libélulas em São Paulo

Levantamento realizado por pesquisadores da USP, UFS e UFSCar identificou pela primeira vez no estado três espécies de libélulas

libélulas
Nova espécie de libélula - Divulgação/Labsia UFPR

Um levantamento inédito realizado na Serra do Japi, no interior de São Paulo, registrou pela primeira vez a ocorrência de três espécies de libélulas no estado. A descoberta foi feita durante uma expedição científica realizada no fim do ano passado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Além dos registros inéditos, o estudo também identificou espécies raras e consideradas quase ameaçadas de extinção, reforçando a importância da Serra do Japi como um dos principais refúgios de biodiversidade da Mata Atlântica paulista.

Localizada entre os municípios de Jundiaí, Cabreúva, Cajamar e Pirapora do Bom Jesus, a Serra do Japi abriga uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica do interior do estado. Cercada pelas regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas, a área preserva ecossistemas fundamentais para a conservação da fauna e da flora brasileiras, mesmo em meio à intensa urbanização de seu entorno.

Parte desse patrimônio ambiental está protegida por uma reserva biológica criada pelo município de Jundiaí na década de 1990. Com cerca de 20 quilômetros quadrados, a unidade de conservação serviu como cenário para o primeiro inventário voltado especificamente aos insetos da ordem Odonata, grupo que reúne libélulas e donzelinhas.

Novas libélulas

O nome Odonata tem origem em uma característica marcante desses insetos: suas mandíbulas fortes e dotadas de estruturas semelhantes a dentes, utilizadas principalmente para capturar presas. Apesar de serem organismos amplamente distribuídos em ambientes aquáticos e terrestres, ainda existem lacunas importantes sobre a diversidade dessas espécies em diferentes regiões do país.

Segundo a bióloga Aline Gonçalves, pós-graduanda da USP e uma das responsáveis pelo estudo, a pesquisa surgiu justamente da ausência de informações específicas sobre a fauna de libélulas na reserva.

“O interesse surgiu durante uma disciplina de Entomologia de Campo do Programa de Pós-Graduação em Entomologia da USP. A Serra do Japi é uma das áreas mais importantes para a conservação da Mata Atlântica no estado de São Paulo, mas até então não existiam estudos focados especificamente na fauna de libélulas e donzelinhas da Reserva Biológica. Isso despertou nosso interesse em realizar um levantamento inicial da biodiversidade local”, explica a pesquisadora.

O trabalho teve como objetivo mapear a diversidade de espécies presentes na área e fornecer dados que possam subsidiar futuras ações de conservação. Como libélulas e donzelinhas dependem de ambientes aquáticos preservados para completar seu ciclo de vida, elas são consideradas importantes indicadores da qualidade ambiental de rios, córregos e áreas úmidas.

A identificação de espécies inéditas para o estado demonstra que mesmo regiões relativamente próximas a grandes centros urbanos ainda podem guardar uma biodiversidade pouco conhecida pela ciência. Os resultados também reforçam a necessidade de ampliar pesquisas em áreas protegidas da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do Brasil.

Além do valor científico, o levantamento contribui para a compreensão dos processos ecológicos que mantêm a diversidade da Serra do Japi. Conhecer quais espécies habitam a região é um passo fundamental para monitorar possíveis impactos ambientais e orientar estratégias de preservação.

Os pesquisadores destacam que os dados obtidos representam apenas uma etapa inicial de investigação. Novas expedições poderão ampliar o número de espécies registradas e revelar informações mais detalhadas sobre a distribuição e o estado de conservação dos insetos encontrados.

A descoberta reforça o papel da Serra do Japi como um importante laboratório natural para pesquisas científicas e evidencia a relevância das unidades de conservação na proteção de espécies ainda pouco conhecidas. Em um cenário de crescente pressão sobre os ecossistemas brasileiros, estudos como esse ajudam a revelar a riqueza biológica que permanece escondida mesmo em áreas próximas a alguns dos maiores centros urbanos do país.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.